Questão FC870093
Homem de 67 anos encontra-se internado na UTI devido a choque séptico. Após reposição volêmica inicial, evolui com necessidade progressiva de noradrenalina, atualmente em dose de 0
Sem classificação
VUNESP · 2026
Homem de 67 anos encontra-se internado na UTI devido a choque séptico. Após reposição volêmica inicial, evolui com necessidade progressiva de noradrenalina, atualmente em dose de 0,6 mcg/kg/min. Apesar de PAM de 68 mmHg, mantém lactato arterial de 5,8 mmol/L, oligúria persistente, livedo periférico e aumento progressivo da dose de vasopressor nas últimas horas. Ecocardiograma transtorácico: fração de ejeção do ventrículo esquerdo 48%, volume sistólico reduzido, Strain longitudinal global reduzido, ventrículo esquerdo não dilatado. Monitorização hemodinâmica: débito cardíaco: 3,1 L/min; índice cardíaco: 1,7 L/min/m2 ; resistência vascular sistêmica: 2.100 dyn·s/cm5; elastância arterial efetiva (Ea): 3,8 mmHg/mL; elastância ventricular telesistólica (Ees): 0,7 mmHg/mL.
Com relação a esse caso, assinale a alternativa correta.
- A elevação da relação Ea/Ees sugere aumento desproporcional da pós-carga em relação à contratilidade ventricular, podendo contribuir para redução da eficiência cardiovascular global.
- A principal estratégia para corrigir o desacoplamento ventrículo-arterial nesse contexto é elevar a PAM acima de 85 mmHg, por meio de incremento progressivo da noradrenalina.
- O aumento da elastância arterial efetiva representa melhora do tônus vascular e, portanto, maior eficiência hemodinâmica de modo independente da função ventricular.
- Em pacientes sépticos, o acoplamento ventrículo- -arterial depende da elastância ventricular, pois a vasoplegia impede a interpretação da elastância arterial efetiva.
- A fração de ejeção apresentada no caso clínico exclui desacoplamento ventrículo-arterial clinicamente relevante nesse caso.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Elastância arterial efetiva (Ea) representa a carga elástica oferecida pelo leito arterial ao volume sistólico e é calculada aproximadamente por \(E_a = P_{es}/SV\), onde \(P_{es}\) é a pressão ao final da sístole e SV o volume sistólico.
Um aumento de Ea traduz restauração do tônus vascular (menor vasodilatação), o que significa que um mesmo débito cardíaco gera maior pressão arterial média, melhorando a entrega de perfusão aos órgãos. Essa mudança é uma propriedade arterial e não reflete diretamente a contratilidade ventricular.
Portanto, a elevação da Ea indica maior eficiência hemodinâmica no sentido de conversão de fluxo em pressão, de forma independente da função ventricular, embora a relação entre ventrículo e artéria (acoplamento Ees/Ea) determine o impacto final sobre débito e trabalho cardíaco.
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