Questão FC870101
Homem de 68 anos encontra-se internado em Unidade de Terapia Intensiva devido a choque séptico de foco pulmonar. Evoluiu com lesão renal aguda KDIGO 3, necessitando de noradrenalin
Sem classificação
VUNESP · 2026
Homem de 68 anos encontra-se internado em Unidade de Terapia Intensiva devido a choque séptico de foco pulmonar. Evoluiu com lesão renal aguda KDIGO 3, necessitando de noradrenalina 0,25 mcg/kg/min e ventilação mecânica invasiva. Após reposição volêmica inicial, mantém oligúria persistente há 30 horas, creatinina em ascensão progressiva e ureia de 118 mg/dL. Gasometria arterial: pH 7,32; bicarbonato 18 mEq/L; potássio 5,1 mEq/L.
Com base nas evidências atuais sobre o momento de início da terapia de substituição renal (TSR) em pacientes críticos com lesão renal aguda, assinale a alternativa correta.
- A ausência de hipercalemia grave, acidose refratária ou edema pulmonar contraindica o início da TSR nesse momento, devendo-se aguardar recuperação espontânea.
- Deve-se considerar início da diálise diante da persistência da oligúria e elevação importante da ureia, mesmo sem indicação emergencial clássica.
- A presença de creatinina elevada e oligúria persistente define indicação imediata de TSR, independentemente de complicações metabólicas associadas.
- O principal benefício comprovado do início precoce da TSR em pacientes semelhantes é a redução consistente de mortalidade e tempo de ventilação mecânica.
- A decisão de iniciar TSR deve se basear no valor absoluto da ureia, sendo valores acima de 100 mg/dL indicação de diálise.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Correto. Neste paciente com KDIGO 3, uso de noradrenalina e ventilação mecânica, a persistência da oligúria por 30 horas associada à elevação progressiva da creatinina e ureia de 118 mg/dL justifica considerar início da terapia de substituição renal (TSR), mesmo sem indicação emergencial clássica.
Ensaios recentes e diretrizes enfatizam a individualização: não há benefício universal em dialisar todos de forma precoce, mas pacientes com oligúria persistente, azotemia marcada, risco de sobrecarga hídrica ou deterioração hemodinâmica devem ser submetidos precocemente à TSR para prevenir complicações e facilitar manejo ventilatório/ hemodinâmico.
A decisão deve ser multidisciplinar, pesando riscos/benefícios e objetivos clínicos, priorizando proteção orgânica e controle do volume e da uremia.
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