Questão FC870140
Paciente de 83 anos de idade, do sexo masculino, tabagista – carga tabágica de 70 anos-maço –, apresenta-se em consulta com história de dificuldade para deglutição há três meses, p
Sem classificação
VUNESP · 2026
Paciente de 83 anos de idade, do sexo masculino, tabagista – carga tabágica de 70 anos-maço –, apresenta-se em consulta com história de dificuldade para deglutição há três meses, progressiva, sendo que atualmente tem dificuldade inclusive para líquidos e alimentos pastosos. Refere perda de peso de 30 kg (peso normal: 102 kg, peso atual: 72 kg). É dependente de O2 devido a doença pulmonar obstrutiva crônica, e familiares referem infarto agudo do miocárdio há dois meses, com a colocação de dois stents. Tem antecedentes de doença de Alzheimer, sendo incapaz de autocuidado, e passa mais de 50% do dia acamado. Familiares apresentam laudo de endoscopia digestiva alta, que mostra lesão vegetante em transição esofagogástrica (TEG), com obstrução da luz, PET-CT com captação elevada na topografia da TEG, linfonodos locorregionais proeminentes e múltiplas metástases hepáticas. O anatomopatológico da lesão revela adenocarcinoma moderadamente diferenciado. Imuno-histoquímica: HER2 negativo (0+/3+) e CPS de 1,0. Exames de laboratório: Hb: 11,5 g/dL; C: 2.1 mg/dL; TGO: 112 U/L; TGP: 126 U/L; fosfatase alcalina: 118 U/L; CEA: 40 ng/mL.
Com base no quadro clínico do paciente, a conduta correta é indicar
- cuidados paliativos exclusivos.
- quimioterapia sistêmica com 5-FU, cisplatina e pembrolizumabe.
- capecitabina, oxaliplatina e trastuzumabe deruxtecana.
- quimiorradioterapia com fluoropirimidina.
- quimioterapia sistêmica com capecitabina, oxaliplatina e nivolumabe.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A indicação de cuidados paliativos exclusivos justifica-se pelo conjunto clínico: tumor em transição esofagogástrica com metástases hepáticas múltiplas confirmadas, quadro sistêmico de perda ponderal grave (30 kg) e disfagia progressiva, além de dependência funcional avançada (passa mais de 50% do dia acamado), o que configura doença incurável e performance status muito ruim.
Há ainda comorbidades e disfunção orgânica importantes: DPOC com oxigenoterapia, infarto recente com stents, hepatopatia bioquímica (TGO/TGP elevados, bilirrubina 2,1) que aumentam risco e reduzem tolerância à quimioterapia. Imuno-histoquímica negativa para HER2 e CPS baixo limitam opções alvo/imunoterápicas.
Portanto, o foco deve ser conforto, controle de sintomas e qualidade de vida. Procedimentos voltados ao alívio da disfagia podem ser realizados como medidas paliativas dentro desse contexto, mas terapias antineoplásicas agressivas são contraindicadas.
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