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Questão FC87016

Texto 2A2-I O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

CEBRASPE (CESPE) · 2023

Texto 2A2-I

O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas não basta a consciência da história, pois procurar a justiça é uma atitude ética — é uma escolha. Não podemos cair em uma visão automática da história, na qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a valorizar em certa medida. Se aceitássemos essa visão, bastaria ficarmos quietos esperando que a história se fizesse de acordo com seus mecanismos. Mas o real é outro. A justiça está se fazendo pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos. E cada um de nós vislumbra o norte da justiça, por via da busca de uma visão coerente da história, aliada a uma prática e a uma análise rigorosa das circunstâncias presentemente vividas.

A busca da justiça como virtude não é equidistante, não é neutra, não é equilibrada. Ela nos força, a cada momento, a tomar partido, a ser parcial, tendo a parcela maior dos seres humanos como fundamento. Ser justo é viver a virtude de tomar partido em busca do melhor, fundado na visão mais lúcida possível da história e na análise das circunstâncias maiores e menores que isso envolve. A justiça é uma virtude agente que se explicita na prática social comprometida.
 

Roberto Aguiar. O que é justiça: uma abordagem dialética. Brasília:

Senado Federal. Conselho Editorial, 2020, p. 319-20 (com adaptações).


Em relação a aspectos linguísticos do texto 2A2-I, julgue o item a seguir.

No parágrafo, a forma pronominal “nos” funciona, sintaticamente, como complemento indireto da forma verbal “força”.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A marcação "nos" como complemento indireto está incorreta porque, na frase, o pronome aparece sem preposição e responde à pergunta direta sobre o paciente da ação.


Questões sintáticas: Quem força? = Ela (sujeito). Quem/que é forçado? = nos, logo Objeto Direto (OD). Pode-se representar: \(Ela\; força\; nos\).


Já as orações reduzidas "a tomar partido, a ser parcial" vêm introduzidas pela preposição a, exigida pela regência do verbo forçar, portanto atuam como Objeto Indireto (OI) ou complementos preposicionados.


Observação final, concisa: pronomes oblíquos como nos podem exercer OD ou OI, a função depende do contexto e da presença ou não da preposição; aqui, pela ausência dela, trata-se de OD.

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