Questão FC870617
Mulher de 64 anos é atendida com queixas de disúria e polaciúria intensa há 3 dias, sem corrimento vaginal ou prurido vulvar. O exame de urina mostra marcada leucocitúria, sem hema
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VUNESP · 2026
Mulher de 64 anos é atendida com queixas de disúria e polaciúria intensa há 3 dias, sem corrimento vaginal ou prurido vulvar. O exame de urina mostra marcada leucocitúria, sem hematúria, e uma amostra é enviada para urocultura, que está pendente. O histórico é relevante para hipertensão arterial, doença renal crônica em estágio 4 e diabetes mellitus tipo 2, mas não lembra o nome dos medicamentos que usa. O tratamento com trimetoprima-sulfametoxazol é iniciado. Cerca de 72 horas após, ela evolui com letargia e fraqueza nos braços e nas pernas. Glicemia capilar: 172 mg/dL.
Considerando a principal hipótese diagnóstica acerca dessa evolução, a alteração laboratorial mais provável nessa paciente é
- hipercalemia.
- hiponatremia.
- neuropatia medicamentosa.
- hipofosfatemia.
- hipercalcemia.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Hipercalemia é a explicação mais compatível com a evolução clínica. A trimetoprima tem efeito semelhante ao do amilorida, bloqueando os canais ENaC no ducto coletor cortical e reduzindo a secreção renal de potássio, o que pode precipitar aumento do K sérico.
O risco é maior em idosos com doença renal crônica estágio 4 e diabetes, que já têm menor capacidade de excretar potássio. A apresentação em cerca de 72 horas com letargia e fraqueza muscular é típica de hipercalemia.
Espera‑se K sérico elevado, por exemplo >5,0 mEq/L (valor de referência \(3{,}5-5{,}0\) mEq/L). Achados eletrocardiográficos possíveis incluem ondas T picudas e alargamento do QRS. A conduta envolve medir potássio, interromper o fármaco e tratamento urgente conforme gravidade.
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