Questão FC870620
Mulher de 79 anos é atendida com quadro de mal-estar, tontura, dispneia e palpitações iniciadas há 1 dia. Não há febre, tosse, expectoração, desconforto torácico, etilismo ou tabag
Sem classificação
VUNESP · 2026
Mulher de 79 anos é atendida com quadro de mal-estar, tontura, dispneia e palpitações iniciadas há 1 dia. Não há febre, tosse, expectoração, desconforto torácico, etilismo ou tabagismo. O histórico é relevante para hipertensão arterial, dislipidemia, pré-diabetes e doença arterial coronariana crônica, mas não lembra os medicamentos que usa. Não há antecedente de arritmia. Ao exame físico: consciente, orientada, corada; anictérica e afebril; pressão arterial: 118 x 92 mmHg; frequência respiratória: 24 ipm; bulhas arrítmicas e normofonéticas; pulmonar com crepitações em 1/3 inferior bilateralmente; não há edema de membros inferiores. Exames séricos: hemograma, eletrólitos, proteína C reativa, função renal e exame de urina: todos normais; glicemia: 182 mg/dL; troponina: negativa; peptídeo natriurético (NT-pró-BNP): 1.980 pg/mL (normal: até 450); função tireoidiana: normal. Fração de ejeção de ventrículo esquerdo: 38%, sem anormalidades valvares. O ECG realizado e mostra fibrilação atrial de alta resposta ventricular (frequência entre 130 e 150 bpm) e bloqueio de ramo direito.
Nessa circunstância, é correto afirmar:
- a ablação do nó atrioventricular seguida de implante de marcapasso de câmara única em ventrículo direito é a terapia inicial de escolha para pacientes com fração de ejeção de VE reduzida que apresentam o primeiro episódio de fibrilação atrial.
- a realização de cardioversão elétrica deve ser o passo inicial antes de qualquer medida farmacológica, mesmo na ausência de anticoagulação prévia, visto que o início dos sintomas ocorreu há cerca de 24 horas.
- a meta de controle de frequência cardíaca na fase aguda de descompensação deve ser intensiva, mantendo- se o paciente com frequência inferior a 80 bpm em repouso para garantir o preenchimento diastólico ventricular adequado.
- o uso de bloqueadores de canais de cálcio não di-hidropiridínicos, como o diltiazem intravenoso, constitui a escolha para o controle da frequência cardíaca, visando a redução imediata do consumo de oxigênio pelo miocárdio.
- a estratégia de controle de ritmo é a conduta preferencial a longo prazo para essa paciente, visando estabelecer a correlação entre o ritmo e os sintomas, além de buscar a melhora da função cardíaca e a redução de hospitalizações.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Fibrilação atrial de alta resposta associada a fração de ejeção 38% e NT‑pro‑BNP elevado indica que a arritmia pode estar causando ou agravando a disfunção ventricular, com quadro clínico de insuficiência cardíaca. Nessa situação, o controle de ritmo é preferível a longo prazo para restabelecer o ritmo sinusal, o que permite correlacionar sintomas com ritmo e avaliar reversão da disfunção.
Restaurar o ritmo normal reduz a frequência ventricular, melhora a sincronização e o enchimento ventricular, podendo reverter taquicardiomiopatia, aumentar a fração de ejeção e diminuir internações por insuficiência cardíaca. As opções incluem cardioversão elétrica, antiarrítmicos e ablação, sempre com anticoagulação conforme risco tromboembólico e acompanhamento cardiológico.
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