Questão FC870628
Homem de 47 anos é levado ao serviço de saúde com alteração do nível de consciência após ingerir uma substância líquida desconhecida. Os exames séricos à entrada mostram: pH arteri
Sem classificação
VUNESP · 2026
Homem de 47 anos é levado ao serviço de saúde com alteração do nível de consciência após ingerir uma substância líquida desconhecida. Os exames séricos à entrada mostram: pH arterial: 7,45; sódio: 140 mEq/L; cloreto: 110 mEq/L; bicarbonato arterial: 19 mEq/L; glicemia: 180 mg/dL; ureia: 64 mg/dL; creatinina: 1,5 mg/dL; etanol: zero; cetonas elevadas; osmolalidade medida: 380 mOsm/kg (normal: 275 a 295).
A principal hipótese diagnóstica é
- intoxicação por cianeto.
- intoxicação por isopropanol.
- intoxicação por metanol.
- intoxicação por etilenoglicol.
- cetoacidose diabética euglicêmica.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Intoxicação por isopropanol é a melhor hipótese porque combina três achados chave: gap osmolar elevado, presença de cetonas e ausência de etanol. O isopropanol é metabolizado em acetona, que gera cetonemia/ketonúria e aumenta a osmolaridade sérica sem produzir metabólitos ácidos que causem acidose metabólica de grande magnitude.
Calcula‑se o gap osmolar usando a fórmula \(2\times Na + \dfrac{glicemia}{18} + \dfrac{BUN}{2{,}8}\). Convertendo ureia para BUN: \(BUN \approx \dfrac{64}{2{,}14}\approx 29{,}9\). Assim \(2\times140 + 180/18 + 29{,}9/2{,}8 \approx 301\) mOsm/kg. O valor medido é 380 mOsm/kg, logo o gap ≈ \(79\) mOsm/kg, muito elevado e compatível com ingestão de álcoois voláteis como isopropanol.
Portanto, quadro clínico e laboratorial apontam para intoxicação por isopropanol, onde a cetonemia é por acetona e não por acidose metabólica grave.
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