Questão FC870727
Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta inicial adequada?
Sem classificação
VUNESP · 2026
Uma paciente de 76 anos, viúva há oito meses, é trazida pela filha por queixa de “esquecimento”. A própria paciente relata, de forma insistente, que “a cabeça não funciona mais”, refere perda de interesse por atividades antes prazerosas, redução do apetite, piora do sono e sensação persistente de inutilidade. A família informa que o início foi relativamente rápido nos últimos três meses, após o luto, e que ela frequentemente responde “não sei” a perguntas simples, mas consegue executar tarefas domésticas quando estimulada. Não há flutuação do nível de consciência nem sinais infecciosos.
Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta inicial adequada?
- Delirium hipoativo, devendo-se internar para rastreio infeccioso e investigação de causa orgânica aguda.
- Quadro depressivo com comprometimento cognitivo associado, exigindo avaliação clínica abrangente, rastreio de depressão, revisão funcional e seguimento longitudinal antes de rotular demência.
- Demência vascular, devendo-se priorizar neuroimagem urgente, porque a rapidez de instalação praticamente define etiologia cerebrovascular.
- Transtorno ansioso generalizado isolado, devendo-se prescrever benzodiazepínico de longa ação e reavaliar em seis meses.
- Doença de Alzheimer inicial, devendo-se iniciar inibidor de acetilcolinesterase imediatamente, pois o luto apenas revelou uma doença neurodegenerativa subjacente.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Quadro depressivo com comprometimento cognitivo associado é a hipótese mais compatível: início subagudo após luto, anedonia, perda de apetite, sono prejudicado, sentimento de inutilidade e respostas “não sei” por apatia/alteração da atenção. A preservação de tarefas domésticas com estímulo e ausência de flutuação do nível de consciência afastam delirium e sugerem transtorno depressivo com déficit cognitivo secundário.
A conduta inicial é avaliação clínica abrangente: história detalhada, revisão de medicações e comorbidades, exames laboratoriais (TSH, glicemia, B12, eletrólitos) e investigação de causas reversíveis.
Realizar rastreio de depressão (ex. GDS) e avaliação cognitiva e funcional (MMSE/MoCA, avaliação de AVD/AIVD). Iniciar tratamento antidepressivo e/ou psicoterapia conforme necessidade e programar seguimento longitudinal antes de rotular demência, pois a melhora da depressão pode reverter o comprometimento cognitivo.
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