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Questão FC870752

Considerando o quadro clínico e os achados complementares, qual é a interpretação diagnóstica e a principal conduta para redução do risco de morte súbita nesse paciente?

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VUNESP · 2026

Paciente de 56 anos, do sexo masculino, natural do interior da Bahia, e que atualmente residente em área urbana, procura atendimento ambulatorial por episódios recorrentes de palpitações, associados a tontura, e dois episódios recentes de pré-síncope nas últimas 3 semanas. Refere piora progressiva da tolerância ao esforço nos últimos meses. Ao exame físico: estado geral preservado; PA: 110 x 70 mmHg; FC: 92 bpm.

 

Ausculta cardíaca: bulhas arrítmicas hipofonéticas, sem sopros. Exames complementares:

 

• Eletrocardiograma, conforme segue.

 

 

(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)

 

• Ecocardiograma com doppler colorido:

 

Fração de ejeção do ventrículo esquerdo: 32%.

 

Áreas de discinesia segmentar em parede inferolateral.

 

Discreto aneurisma apical.

 

Considerando o quadro clínico e os achados complementares, qual é a interpretação diagnóstica e a principal conduta para redução do risco de morte súbita nesse paciente?

  1. Forma cardíaca crônica da doença de Chagas com predomínio arrítmico, com indicação de implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI).
  2. Cardiomiopatia dilatada idiopática, com indicação apenas de tratamento clínico otimizado.
  3. Cardiomiopatia hipertrófica, com indicação de betabloqueador isolado.
  4. Doença coronariana isquêmica, com indicação de revascularização miocárdica.
  5. Miocardite viral crônica, com indicação de imunossupressão.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Forma cardíaca crônica da doença de Chagas com predomínio arrítmico. A origem em área endêmica, associada a história de palpitações e pré-síncope, ECO com FEVE 32%, discinesia inferolateral e aneurisma apical apontam para cardiomiopatia chagásica com substrato de fibrose e arritmogenicidade ventricular.

Esse quadro confere alto risco de morte súbita por arritmias ventriculares sustentadas, pois a fibrose e o aneurisma favorecem circuitos de reentrada. A redução da fração de ejeção para ≤35% aumenta ainda mais o risco.

A conduta principal para reduzir o risco de morte súbita é a implantação de cardiodesfibrilador implantável (CDI) indicado para prevenção (primária) em pacientes com FEVE ≤35% sintomáticos e em presença de substrate arrítmico. Deve-se também otimizar terapia medicamentosa para insuficiência cardíaca e considerar ablação em arritmias recidivantes.

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