Questão FC870875
Durante uma transfusão de concentrado de hemácias, um paciente masculino de 68 anos evolui com dispneia súbita, taquipneia e queda da saturação de oxigênio. Ao exame físico, aprese
Sem classificação
VUNESP · 2026
Durante uma transfusão de concentrado de hemácias, um paciente masculino de 68 anos evolui com dispneia súbita, taquipneia e queda da saturação de oxigênio. Ao exame físico, apresenta crepitações pulmonares bilaterais. A radiografia de tórax evidencia infiltrado pulmonar difuso. Diante desse quadro clínico após transfusão sanguínea, considera-se como hipótese diagnóstica uma reação transfusional aguda, sendo importante diferenciar entre condições como TACO e TRALI, que apresentam manifestações clínicas semelhantes, porém com mecanismos fisiopatológicos e condutas distintas. Embora possam parecer iguais à beira-leito, alguns achados ajudam a diferenciar essas duas reações.
A esse respeito, assinale a alternativa correta.
- TRALI manifesta-se como quadro de síndrome da angústia respiratória aguda (edema “de permeabilidade”), frequentemente com febre e hipotensão; não há evidência de sobrecarga volêmica ou falência cardíaca esquerda.
- Em TACO, a resposta a diuréticos costuma ser ausente ou mínima, pois o mecanismo é de aumento de permeabilidade alveolocapilar, não de pressão hidrostática.
- TRALI surge em até 1 hora após a transfusão, com dispneia, hipoxemia e infiltrado unilateral no raio-X de tórax.
- NT proBNP/BNP são os biomarcadores mais práticos para sugerir TRALI, sobretudo com razão pós/pré > 1,5 ou valores altos absolutos, mas têm desempenho apenas moderado e pior em pacientes críticos.
- Em TRALI, a função ventricular é geralmente preservada e sem sinais de sobrecarga; ausência de disfunção ventricular exclui TACO.
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Gabarito
A
Comentário do professor
TRALI é uma reação transfusional aguda que se apresenta como uma síndrome da angústia respiratória aguda, com edema pulmonar por permeabilidade, não por hipertensão capilar. O quadro surge tipicamente em até 6 horas após a transfusão, com dispneia súbita, hipóxia e infiltrados bilaterais à radiografia.
Fisiopatologia: anticorpos do doador ou mediadores pró-inflamatórios ativam neutrófilos pulmonares, causando lesão endotelial e extravasamento de líquido para os alvéolos, caracterizando um edema não cardiogênico.
Clínica costuma incluir taquipneia, crepitação, febre e hipotensão. Importante notar que não há evidência de sobrecarga volêmica ou falência cardíaca esquerda, o que orienta o diagnóstico e o manejo.
Conduta: suspender a transfusão, suporte oxigênico/ ventilatório conforme necessidade, suporte hemodinâmico, comunicar serviço de hemoterapia e investigar doador.
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