Questão FC870926
Mulher de 80 anos apresenta quadro de náuseas, diarreia e dor abdominal intensa nas últimas 24 horas. Não há febre. A paciente mora sozinha, raramente bebe álcool e é ex-fumante. O
Sem classificação
VUNESP · 2026
Mulher de 80 anos apresenta quadro de náuseas, diarreia e dor abdominal intensa nas últimas 24 horas. Não há febre. A paciente mora sozinha, raramente bebe álcool e é ex-fumante. O histórico médico inclui cardiopatia isquêmica e um acidente vascular cerebral isquêmico prévio. A medicação atual consiste em: clopidogrel (75 mg/dia), atorvastatina (40 mg/dia), bisoprolol (5 mg/dia) e lisinopril (10 mg/dia). Ao exame físico, ela parece angustiada, com fácies de dor, mas o abdome está flácido, os ruídos intestinais estão presentes, com leve dor central; as auscultas cardíaca e pulmonar são normais; não há edema periférico. O ECG mostra fibrilação atrial com frequência de 87 bpm. Os exames de sangue são relevantes para aumento na contagem de leucócitos séricos, proteína C reativa e lactato desidrogenase.
Considerando a principal hipótese diagnóstica, nesse cenário, é correto afirmar:
- o emprego de angioplastia com stent é a conduta preferencial em pacientes que apresentam sinais evidentes de peritonite e instabilidade hemodinâmica na admissão.
- o desenvolvimento de necrose transmural em pacientes com hipoperfusão aguda apresenta uma correlação estabelecida com a presença de defeitos hereditários na coagulação sanguínea.
- o uso de anticoagulação terapêutica sistêmica visa limitar a propagação do trombo e auxiliar na redução do vasoespasmo arteriolar associado ao evento obstrutivo.
- a realização de laparotomia de segunda olhada deve ocorrer em um intervalo fixo de doze horas após o procedimento de revascularização inicial do paciente.
- a artéria mesentérica inferior é frequentemente acometida por eventos embólicos devido ao seu calibre reduzido e ao ângulo de saída da aorta abdominal.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Anticoagulação terapêutica sistêmica tem por objetivo principal impedir a extensão do trombo embólico que causa isquemia mesentérica e limitar a formação de trombos secundários na circulação arterial e microvascular.
Ao reduzir a trombose em evolução, há também diminuição da ativação plaquetária e da liberação de mediadores vasoconstritores, o que contribui para atenuar o vasoespasmo arteriolar secundário ao evento obstrutivo, preservando o fluxo colateral e a perfusão tecidual.
Na prática, isso justifica início imediato de anticoagulação parenteral (por exemplo, heparina não fracionada) diante da forte suspeita clínica, enquanto se define confirmação diagnóstica e conduta revascularizadora.
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