Questão FC870930
Mulher de 39 anos com histórico de lúpus eritematoso sistêmico apresenta psicose de início recente. Ela evolui com quadro agudo de fraqueza em hemicorpo esquerdo, sendo levada ao p
Sem classificação
VUNESP · 2026
Mulher de 39 anos com histórico de lúpus eritematoso sistêmico apresenta psicose de início recente. Ela evolui com quadro agudo de fraqueza em hemicorpo esquerdo, sendo levada ao pronto-socorro. À chegada, constatam-se hemiparesia esquerda, pressão arterial: 158 x 102 mmHg, frequência cardíaca: 92 bpm, SatO2: 98% em ar ambiente, temperatura: 36,7 ºC e glicemia capilar normal; observam-se lesões cutâneas reticulares de cor vermelho-azulada profunda, que não desaparecem ao pressionar, nas pernas e no tronco. A paciente evolui pouco tempo depois com rebaixamento do nível de consciência e necessidade de intubação orotraqueal devido à incapacidade de proteger as vias aéreas. A ressonância magnética do encéfalo de emergência mostra múltiplas áreas de isquemia subcortical, afetando ambos os hemisférios, com envolvimento mais predominante do lado direito. Os exames séricos revelam: velocidade de hemossedimentação: 93 mm/h; proteína C reativa: 189 mg/L (normal: até 10); C3 e C4 baixos (< 5 g/L) e anticorpos antinucleares positivos em altos títulos.
Considerando a principal hipótese diagnóstica, o autoanticorpo que está, mais frequentemente, associado a essa condição é:
- antiesclero70 (Scl70).
- antirribonucleoproteína (RNP).
- anticorpo anticitoplasma de neutrófilos (ANCA).
- anti-SS-A/SS-B.
- anti-\(\beta\)2-glicoproteína I.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A presença de anticorpos anti-β2-glicoproteína I é altamente sugestiva de síndrome antifosfolipídica (SAF), entidade pró-trombótica frequentemente associada ao lúpus. Esses autoanticorpos se ligam à β2-glicoproteína I na superfície de endoteliócitos, plaquetas e proteínas plasmáticas, promovendo ativação endotelial, agregação plaquetária e ativação do sistema complemento, resultando em tromboses arteriais e venosas.
Clinicamente, a combinação de múltiplos infartos cerebrais em hemisférios distintos e livedo reticularis é compatível com eventos trombóticos multifocais típicos da SAF. A confirmação laboratorial exige positividade persistente dos anticorpos (anti-β2GPI, anticoagulante lúpico ou anticardiolipina) em duas ocasiões com intervalo ≥12 semanas, associada ao evento clínico trombótico.
Portanto, a detecção de anti-β2-glicoproteína I explica a propensão a AVCs múltiplos e as lesões cutâneas reticulares neste contexto de lúpus.
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