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Questão FC886083

Marina, 36 anos, portadora de colelitíase sintomática em avaliação pré-operatória. Apresentou uma dor abdominal diferente das anteriores, afirmando sentir uma dor em barra no andar

Cirurgia

CRS (PM MG) · 2019

Marina, 36 anos, portadora de colelitíase sintomática em avaliação pré-operatória. Apresentou uma dor abdominal diferente das anteriores, afirmando sentir uma dor em barra no andar superior do abdome com irradiação para o dorso, acompanhada de vômitos. Avaliada no pronto atendimento cerca de 6 horas após o início dos sintomas.

O laboratório: Hg=11,5g/dl; HTC=33%; Leucometria: 13.400/mm3 ; PLT=367.000/mm3 ; Amilase=560UI/L; Lipase=850UI/L; Glicemia=160mg/dl; LDH=220UI/L; TGO=220UI/L; TGP=170UI/L; FA=210UI/L; GGT=140UI/L; Bilirrubina total = 1,9mg/dl com predomínio da fração direta.

Tomografia computadorizada de abdome com contraste mostrou edema difuso de tecido pancreático, sem áreas sugestivas de necrose. Com base nos dados acima, marque a alternativa CORRETA:

  1. A etiologia da pancreatite da paciente deve ser biliar, fato indicado tanto pelo relato de patologia prévia quanto pela epidemiologia, uma vez que esta é a causa mais comum de pancreatite aguda, seguida pela etiologia alcoólica.
  2. A Tomografia computadorizada de abdome, de início, está indicada para avaliação da gravidade, uma vez que foi diagnosticada a pancreatite aguda.
  3. Conforme os Critérios de Ranson, para avaliar a gravidade da pancreatite aguda podemos considerar que essa paciente apresenta à internação apenas um critério, devendo ser colhidos novos exames com 48 horas.
  4. O tratamento clínico é de suporte e consiste na suspensão da dieta oral, hidratação venosa, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, suporte nutricional e administração de antibióticos.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Etiologia biliar é a explicação mais provável aqui, porque a paciente tem história de colelitíase e a origem biliar é a causa mais comum de pancreatite aguda na prática clínica.

O quadro clínico típico de dor em faixa no epigastro com irradiação para o dorso e vômitos, associado às enzimas pancreáticas elevadas (amilase 560 UI/L, lipase 850 UI/L) e imagem compatível com edema pancreático, confirma pancreatite aguda.

Os exames laboratoriais reforçam a origem biliar: colestase com bilirrubina direta predominantemente elevada (1,9 mg/dL) e elevação de FA e GGT, além de transaminases aumentadas, sugerindo obstrução biliar recente ou passagem de cálculo pelo colédoco.

Fisiopatologicamente, um cálculo impactado na ampola ou transitando pelo colédoco provoca refluxo e ativação prematura de enzimas pancreáticas, desencadeando a inflamação. Portanto a alternativa é correta.

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