Questão FC886091
Você está de plantão no PA-HPM e atende paciente de 62 anos, hipertensa e obesa, queixando dor em fossa ilíaca esquerda irradiada para a região inguinal ipsilateral, associada à fe
Cirurgia
CRS (PM MG) · 2019
Você está de plantão no PA-HPM e atende paciente de 62 anos, hipertensa e obesa, queixando dor em fossa ilíaca esquerda irradiada para a região inguinal ipsilateral, associada à febre e inapetência, há cerca de dois dias. Refere constipação intestinal crônica, mas é a primeira vez que apresenta esse quadro. Ao exame, a paciente encontra-se corada, hidratada, afebril, frequência cardíaca de 102 bpm, com dor à palpação abdominal em fossa ilíaca esquerda, apresentando defesa voluntária e massa palpável nesta topografia. Foi solicitada Tomografia Computadorizada de abdome, que evidenciou borramento da gordura pericólica à esquerda, sem ar ou líquido livre na cavidade.
Com relação ao diagnóstico do quadro acima descrito, marque a alternativa CORRETA:
- Nos pacientes portadores de diverticulite Hinchey IV o tratamento de escolha é a ressecção do segmento afetado, com anastomose primária e colostomia proximal em alça.
- O achado tomográfico de abscesso pélvico bloqueado corresponderia ao estádio III de Hinchey, estando indicada a drenagem percutânea ou cirúrgica.
- O achado tomográfico de ar no interior da bexiga constitui indicação para realização imediata de colostomia.
- Uma das principais causas de diverticulite recorrente após a sigmoidectomia para tratamento dessa doença é a ressecção incompleta do segmento intestinal anormalmente espessado.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que a ressecção incompleta do segmento intestinal anormalmente espessado é causa importante de recorrência após sigmoidectomia. Quando parte do cólon doente permanece, ela mantém divertículos, inflamação crônica e predisposição a novos episódios.
Na prática, a identificação do limite entre cólon inflamado e saudável pode ser difícil devido à edema, fibrose e espessamento, o que leva a margens insuficientes. Tecnicamente, resecar tecido ainda doente ou realizar anastomose sobre segmento inflamado aumenta o risco de retorno da doença.
Por isso, o princípio cirúrgico é retirar todo o segmento comprometido até chegar a uma margem proximal saudável, com bom calibre e perfusão, minimizando a chance de recorrência por tecido residual.
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