Questão FC886647
J.S., 55 anos, tabagista (30 anos/maço), hipertenso, foi levado às pressas ao pronto socorro devido a cefaleia de início súbito, intensa, associada a vômitos e seguida de crise con
Neurologia
CRS (PM MG) · 2023
J.S., 55 anos, tabagista (30 anos/maço), hipertenso, foi levado às pressas ao pronto socorro devido a cefaleia de início súbito, intensa, associada a vômitos e seguida de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, que cessou espontaneamente após alguns minutos.
Ao exame admissional encontrava-se sonolento, confuso, com abertura ocular ao chamado e atendendo a comandos simples. Pupilas isocóricas e fotorreativas, pares cranianos sem alterações e com leve hemiparesia esquerda.
Foi levado rapidamente para tomografia de crânio que evidenciou sangramento difuso em cisternas da base, fissura lateral direita (espessura maior que 1 mm), sem sangramento intraventricular e sem hidrocefalia.
A respeito do manejo inicial deste paciente, assinale a alternativa INCORRETA:
- O uso de anticonvulsivantes deve ser considerado na fase aguda.
- Este paciente deve ser admitido idealmente em leito monitorizado (CTI), com neurocheck periódico e cabeceira elevada.
- O alvo pressórico deve ser abaixo de 160mmHg de pressão sistólica, sem abrir mão da hipervolemia profilática, e evitando a hipotensão (ainda que esta seja rara nas primeiras 24h).
- A nimodipina oral deve ser iniciada nas primeiras 96h do ictus, mesmo em pacientes com pressão normal.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Por que a alternativa é incorreta
Embora seja correto controlar a pressão arterial antes do tratamento do aneurisma, com meta de pressão sistólica <160 mmHg para reduzir risco de rebleeding, a afirmação erra ao defender hipervolemia profilática. A conduta atual recomenda manutenção de euvolemia, não reposição volêmica excessiva rotineira.
A hipervolemia profilática pode aumentar risco de edema e complicações cardiopulmonares sem benefício comprovado na prevenção de vasoespasmo. Deve-se, sim, evitar hipotensão, que compromete perfusão cerebral, e tratar vasoespasmo sintomático com medidas dirigidas, como indução de hipertensão e manutenção de euvolemia. Além disso, usar nimodipina para redução do risco de déficit isquêmico diferido.
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