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Questão FC887291

Esposa de militar, 55 anos, relata que há alguns anos vem sendo invadida por diversas aranhas pequeninas, com piora após passar por isolamento social frente à pandemia da COVID-19.

Psiquiatria

CRS (PM MG) · 2021

Esposa de militar, 55 anos, relata que há alguns anos vem sendo invadida por diversas aranhas pequeninas, com piora após passar por isolamento social frente à pandemia da COVID-19. Apesar dessa preocupação intensa e inquestionável de se apresentar com o corpo com vários aracnídeos (ela mostrou diversas fotos de celular em que não se evidenciavam aracnídeos), estava orientada no tempo e espaço, tinha o discurso organizado, mantinha-se a par de acontecimentos, notícias, acordava cedo para arrumar sua casa e não tinha sintomas depressivos. Era cordial, empática e afetiva, denotando vontade de viajar a lazer e retomar contato com familiares, após vacinação para COVID-19, dentro de requisitos de segurança sanitária e uso de máscaras. Entretanto as inúmeras tentativas de se livrar dos pequenos aracnídeos (banhos demorados, uso de esponjas de aço, álcool gel) provocaram escoriações infectadas em pernas e braços, fazendo com que se encaminhasse o serviço de Dermatologia do HPM.

De acordo o caso acima, é CORRETO afirmar que a paciente apresenta:

  1. Delírio de Cotard.
  2. Delírio de Ekbom.
  3. Delírio de Clerambaud.
  4. Delírio cenestopático.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Delírio de Ekbom é uma crença delirante persistente de estar infestada por parasitas ou insetos, mantida com convicção apesar de evidências em contrário. A paciente descreve a sensação de pequenos aracnídeos, apresenta fotos sem prova de infestação e continua convencida, o que caracteriza o delírio.

Frequentemente há formicação (sensação tátil) e comportamentos repetidos para remover os supostos parasitas. As escoriações infectadas decorrentes de banhos prolongados e uso de objetos agressivos são sinais típicos de lesões autoprovocadas nesse quadro.

É compatível também a preservação da orientação, discurso organizado e atividade social, pois o delírio pode coexistir com funcionamento cognitivo relativamente intacto. O manejo combina abordagem dermatológica e tratamento antipsicótico, com cuidado empático.

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