Questão FC887554
Mulher cis, 29 anos, profissional do sexo, busca iniciar profilaxia pré-exposição (PrEP) da infecção por HIV. Relata múltiplos parceiros, sexo vaginal e anal receptivo, e uso irreg
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CRS (PM MG) · 2026
Mulher cis, 29 anos, profissional do sexo, busca iniciar profilaxia pré-exposição (PrEP) da infecção por HIV. Relata múltiplos parceiros, sexo vaginal e anal receptivo, e uso irregular de preservativo. Não faz uso de medicações contínuas e nega tratamento prévio para hepatite B. Não há sinais clínicos de cirrose. Exame físico do abdome normal.
Exames laboratoriais recentes mostram:
HBsAg: reagente; Anti-HBc total: reagente; HBeAg: não reagente; Anti-HBe: reagente; Anti-HBs: não reagente; aspartato aminotransferase 12 U/L (VR: 5 - 40U/L); TGP 22 U/L (VR: 7 - 56/L); Carga viral HBV: 5.400 UI/mL; Anti-HIV: não reagente; TFG: 86mL/min/1,73m2.
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas PrEP HIV 2025, marque a alternativa CORRETA quanto ao uso de PrEP para HIV nesta paciente1.
- A PrEP está contraindicada devido à hepatite B ativa, uma vez que existe risco elevado de reativação viral e hepatite fulminante, independente do esquema escolhido; o PCDT 2025 orienta evitar o uso de tenofovir ou lamivudina em indivíduos com replicação ativa do HBV para fins de profilaxia.
- A PrEP sob demanda é a estratégia mais segura neste caso, pois reduz a exposição contínua ao tenofovir associado a entricitabina (TDF/FTC) e minimiza risco de toxicidade hepática, sendo igualmente eficaz mesmo em portadores de hepatite B crônica.
- A PrEP não deve ser iniciada enquanto houver viremia detectável do HBV, devendo-se priorizar tratamento exclusivo da hepatite B com entecavir antes de qualquer medida preventiva voltada ao HIV, pois tenofovir associado a entricitabina (TDF/FTC) não substitui antivirais específicos contra HBV.
- A PrEP com tenofovir associado a entricitabina (TDF/FTC) pode ser iniciada, desde que haja seguimento rigoroso, pois o esquema serve simultaneamente como antiviral ativo contra o HBV. É fundamental alertar sobre risco de exacerbação da hepatite caso a PrEP seja interrompida sem manejo adequado, devendo haver monitoramento clínico e laboratorial regular.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Esta paciente tem infecção crônica por HBV (HBsAg reagente, anti‑HBc total reagente) com carga viral de 5.400 UI/mL e transaminases normais. Esses achados não contraindicam o início da PrEP para HIV.
O esquema TDF/FTC é ativo contra o HBV; portanto pode ser iniciado como PrEP desde que haja seguimento rigoroso. A função renal basal está adequada (TFG 86 mL/min/1,73m²), o que permite uso do TDF com monitorização.
É fundamental alertar sobre o risco de exacerbação da hepatite ao interromper o TDF/FTC sem manejo adequado. Deve-se monitorar clínica, ALT e carga viral de HBV periodicamente, e planejar estratégia caso a PrEP seja suspensa, incluindo possível início de terapia antirretroviral direcionada ao HBV ou seguimento hepatológico.
Informar sobre adesão, preservativos e rastreamento seriado de HIV, função renal e função hepática.
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