Questão FC887725
Neonato com 20 dias de vida com quadro de dispneia progressiva há uma semana. HPP: gestação de risco habitual, pré-natal sem intercorrências, sem contexto infeccioso. Nasceu com id
Sem classificação
CRS (PM MG) · 2021
Neonato com 20 dias de vida com quadro de dispneia progressiva há uma semana. HPP: gestação de risco habitual, pré-natal sem intercorrências, sem contexto infeccioso. Nasceu com idade gestacional de 39 semanas, peso 3250g, Apgar 9/9, alta da maternidade no segundo dia de vida, em boas condições. Ao exame físico: facies atípica, hipocorado, gemente. Frequência respiratória de 80 irpm, tiragem intercostal, subcostal, retração de fúrcula e batimento de aletas nasais. Sons respiratórios normais. SatO2 de 94%. Frequência cardíaca de 190 bpm, ritmo cardíaco regular, com presença de B3, sem sopros. Extremidades frias, pulsos radiais cheios e pediosos não palpáveis. Perfusão capilar periférica de 5 segundos. Pressão arterial em braço direito de 74/38 mmHg. Pressão arterial em perna direita de 42/22 mmHg. Fígado palpável a cerca de 4 cm do rebordo costal direito.
Em relação ao diagnóstico provável e conduta, marque a alternativa CORRETA:
- Comunicação interventricular grande. Iniciar diurético e vasodilatador e encaminhar para Unidade de Terapia Intensiva.
- Sepse neonatal tardia. Iniciar suporte ventilatório, rastreio infeccioso e metabólico e antibioticoterapia venosa empírica.
- Coarctação da aorta crítica. Iniciar prostaglandina e encaminhar imediatamente para Unidade de Terapia Intensiva em centro de referência para correção cirúrgica.
- Miocardite viral. Iniciar diurético, inotrópico e vasodilatador e encaminhar para Unidade de Terapia Intensiva.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Coarctação crítica da aorta é compatível com a apresentação: insuficiência de perfusão dos membros inferiores, grande diferença entre pressão arterial em braço e perna, pulsos pediosos fracos/ausentes, taquicardia, hepatomegalia e sinais de insuficiência/choque no período neonatal tardio quando o canal arterial fecha.
A conduta imediata é iniciar prostaglandina E1 (PGE1) para manter ou reabrir o canal arterial e restabelecer perfusão sistêmica, reduzindo isquemia de membros inferiores e carga ventricular. Dose inicial usual: 0,05–0,1 µg/kg/min IV, ajustando conforme resposta e efeitos adversos (apneia).
É obrigatório o encaminhamento urgente à Unidade de Terapia Intensiva de referência para estabilização hemodinâmica e planejamento de correção cirúrgica ou intervenção percutânea definitiva, pois trata‑se de emergência potencialmente fatal.
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