Questão FC890199
Considere o texto a seguir para responder a questão O Peso da Caneta O ato de julgar carrega em si uma dualidade intrínseca: a frieza da lei e o calor da vida humana. O magistrado,
Interpretação de Textos (Compreensão)
EJUD PI · 2026
Considere o texto a seguir para responder a questão
O Peso da Caneta
O ato de julgar carrega em si uma dualidade intrínseca: a frieza da lei e o calor da vida humana. O magistrado, ou aquele que o auxilia na minuta da sentença, não lida apenas com folhas de papel e códigos digitais, mas com destinos. A letra da lei é estática, paralisada no tempo de sua promulgação; a realidade, contudo, é fluida, caótica e urgente. Ao aplicar a norma ao caso concreto, o operador do direito realiza um trabalho de tecelagem. Se puxar demais o fio do rigor, rasga o tecido social; se o deixar frouxo demais, a justiça se desfaz em impunidade. O equilíbrio não está na letra morta, mas na interpretação viva. Portanto, a verdadeira sabedoria jurídica não reside em decorar artigos, mas em compreender que, por trás de cada “pede deferimento”, existe uma angústia humana esperando por uma resposta que pacifique, e não apenas que encerre o processo.
(Texto adaptado para esta prova)
No trecho “Se puxar demais o fio do rigor, rasga o tecido social”, a metáfora utilizada pelo autor sugere que:
- O excesso de formalismo e severidade na aplicação da lei pode causar danos à harmonia da sociedade.
- A sociedade é frágil e não suporta a existência de leis rigorosas.
- O rigor é desnecessário no direito, devendo ser substituído sempre pelo perdão.
- A lei é um tecido que deve ser costurado pelos legisladores e não pelos juízes.
- O tecido social é irrelevante para a tomada de decisão judicial.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Metáfora: o "fio do rigor" representa o excesso de formalismo e severidade na aplicação da lei; o "tecido social" simboliza a rede de relações, confiança e convivência que sustenta a sociedade.
Ao dizer que puxar demais esse fio "rasga" o tecido, o autor indica que a rigidez desmedida pode gerar rupturas sociais: decisões que ignoram contextos concretos provocam injustiça, ressentimento e perda de legitimidade das instituições.
Daí a ideia de que o juiz precisa ponderar normas e realidade, praticando uma interpretação que preserve a coesão social. A metáfora, portanto, defende a moderação e a sensibilidade na aplicação do direito para evitar danos à harmonia coletiva.
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