Questão FC890256
Homem de 49 anos, com sobrepeso (IMC 29 kg/m²), relata pirose e regurgitação há oito meses, piorando após as refeições e ao deitar-se. Nega hematêmese, mas refere desconforto retro
Gastroenterologia, Hepatologia e Coloproctologia
FGV · 2026
Homem de 49 anos, com sobrepeso (IMC 29 kg/m²), relata pirose e regurgitação há oito meses, piorando após as refeições e ao deitar-se. Nega hematêmese, mas refere desconforto retroesternal diário. Endoscopia digestiva alta demonstra esofagite erosiva grau C pela classificação de Los Angeles, sem sinais de metaplasia intestinal.
De acordo com as diretrizes mais atuais para o manejo da doença do refluxo gastroesofágico, a conduta mais adequada nesse caso é:
- prescrever inibidor de bomba de prótons (IBP) em dose plena única por 8 semanas e reavaliar por endoscopia;
- iniciar IBP em dose dupla por 8 semanas, com terapia de manutenção contínua e reavaliação endoscópica após o tratamento;
- iniciar IBP em dose única associada a bloqueador H2 noturno, mantendo o esquema por 12 semanas e suspendendo após melhora clínica;
- prescrever IBP em dose plena associada a pró-cinético e orientar medidas dietéticas, com reavaliação clínica após 4 semanas;
- indicar cirurgia antirrefluxo, considerando o grau C de esofagite e o risco de recorrência após suspensão do IBP.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O paciente apresenta esofagite erosiva grau C, que caracteriza doença do refluxo com lesão significativa da mucosa. A conduta de iniciar IBP em dose dupla por 8 semanas visa promover cicatrização mucosal mais eficaz e controle sintomático, já que doses aumentadas têm maior chance de cura nas formas moderadas a graves.
Após a indução, recomenda-se terapia de manutenção contínua porque pacientes com esofagite grave têm alta probabilidade de recidiva e risco aumentado de complicações se suspenderem o tratamento. A manutenção deve ser na menor dose eficaz, associada a medidas de estilo de vida como perder peso e evitar refeições antes de deitar.
É indicada reavaliação endoscópica após o tratamento de indução para confirmar cicatrização, avaliar possíveis complicações (estenose, metaplasia intestinal) e orientar necessidade de ajustes terapêuticos ou considerações cirúrgicas se não houver melhora.
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