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Questão FC890260

Paciente masculino, 64 anos, apresenta febre diária há quatro semanas, fadiga intensa, perda ponderal de 7 kg e sudorese noturna. Ao exame: palidez, esplenomegalia moderada e linfa

Infectologia

FGV · 2026

Paciente masculino, 64 anos, apresenta febre diária há quatro semanas, fadiga intensa, perda ponderal de 7 kg e sudorese noturna. Ao exame: palidez, esplenomegalia moderada e linfadenopatia cervical.

 

Hemograma:

 

• hemoglobina 8,8 g/dL

• leucócitos 3.100/mm³ (neutrófilos 1.300/mm³)

• plaquetas 82.000/mm³.

 

Bioquímica:

 

• ferritina 5.200 ng/mL

• triglicerídeos 420 mg/dL

• fibrinogênio 1,2 g/L

• LDH 1.350 U/L

• AST 180 U/L.

 

Sorologias:

 

• HIV negativo

• hepatites A, B e C negativas

• dengue, CMV e toxoplasmose negativas

• sorologia para EBV com IgG elevado e IgM negativo.

 

Tomografia de tórax e abdômen evidencia esplenomegalia e linfonodos aumentados em região mediastinal e abdominal. Biópsia de linfonodo cervical está em processamento, diante da suspeita de doença linfoproliferativa.

 

Considerando os achados clínicos, laboratoriais e sorológicos apresentados, conclui-se que os métodos complementares e a abordagem terapêutica apropriados são, respectivamente:

  1. solicitar testes para infecção granulomatosa sistêmica (pesquisa molecular para Mycobacterium tuberculosis, teste tuberculínico, cultura e baciloscopia), além de instituir quimioterapia antituberculosa;
  2. realizar testes diagnósticos para síndrome viral ativa por EBV (PCR quantitativa e sorologias complementares), associados ao uso de antivirais e corticoide;
  3. solicitar avaliação para síndrome inflamatória associada a doença autoimune por meio de FAN, anti-DNA, complemento sérico e iniciar imunossupressão com pulsoterapia;
  4. proceder à investigação de síndromes hemofagocíticas hereditárias com testes genéticos relacionados à função lisossomal e proteínas de citotoxicidade, além de quimioterapia citorredutora;
  5. solicitar dosagem de sCD25 (sIL-2R) e testes de atividade/degranulação de células NK (por citometria, ex.: CD107a), além do aspirado ou biópsia de medula óssea com pesquisa de hemofagocitose, iniciando terapia direcionada à hemofagocitose com dexametasona e etoposida.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Os achados clínicos e laboratoriais são clássicos para síndrome hemofagocítica (HLH): febre prolongada, esplenomegalia, citopenias, hiperferritinemia marcada, hipertrigliceridemia, hipofibrinogenemia e elevação de enzimas (LDH, TGO).

Para confirmar e estratificar a HLH, deve-se dosar sCD25 (sIL-2R) e avaliar a atividade/desgranulação de células NK (por citometria, ex.: CD107a), pois são critérios diagnósticos que refletem ativação linfocitária. O aspirado ou biópsia de medula óssea busca a presença de hemofagocitose, reforçando o diagnóstico.

O início imediato de terapia imunossupressora/citotóxica é indicado; o protocolo clássico utiliza dexametasona e etoposida para controlar a tempestade inflamatória, enquanto se investiga e trata causa desencadeante (ex.: linfoma, infecção).

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