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Questão FC890263

Mulher de 62 anos procura atendimento ambulatorial por quadro de dispepsia pós-prandial há aproximadamente seis meses com as seguintes características: desconforto epigástrico após

Medicina Social e Medicina de Família e Comunidade

FGV · 2026

Mulher de 62 anos procura atendimento ambulatorial por quadro de dispepsia pós-prandial há aproximadamente seis meses com as seguintes características: desconforto epigástrico após as refeições, plenitude precoce e ocasionais episódios de náuseas. Refere história de diabetes mellitus tipo 1, diagnosticado aos 28 anos, em uso regular de insulina, e hipotireoidismo em tratamento com levotiroxina 100 mcg por dia. Nega tabagismo, etilismo ou uso de anti-inflamatórios não esteroidais. Ao exame físico, apresenta IMC 24 kg/m², palidez cutaneomucosa discreta, glossite atrófica e ausência de outras alterações significativas.

 

Exames laboratoriais:

 

• hemoglobina 10,2 g/dL (VR: 12-16 g/dL)

• volume corpuscular médio 102 fL (VR: 80-100 fL)

• leucócitos 4.800/mm³

• plaquetas 165.000/mm³

• ferritina 88 ng/mL (VR: 15-150 ng/mL)

• vitamina B12 sérica 145 pg/mL (VR: 200-900 pg/mL)

• ácido metilmalônico elevado

• gastrina sérica em jejum 850 pg/mL (VR: menor que 100 pg/mL).

 

Endoscopia digestiva alta evidencia mucosa gástrica com aspecto atrófico difuso no corpo e fundo, com visibilidade aumentada da vascularização submucosa e múltiplas pequenas lesões polipoides menores que um centímetro. Anatomopatológico de biópsias do corpo gástrico demonstra atrofia glandular acentuada com perda de células parietais e principais, substituição por epitélio metaplásico pseudopilórico e intestinal, infiltrado inflamatório linfoplasmocitário em profundidade e hiperplasia de células enterocromafins-like. Biópsias de antro mostram mucosa preservada sem atrofia. Pesquisa de Helicobacter pylori negativa.

 

A conduta apropriada para o caso descrito é:

  1. iniciar terapia de erradicação para Helicobacter pylori com esquema tríplice por 14 dias, programar endoscopia de controle em três meses e orientar reposição oral de vitamina B12;
  2. solicitar dosagem de anticorpos anticélulas parietais e antifator intrínseco, iniciar reposição parenteral de vitamina B12, programar vigilância endoscópica a cada três anos e investigar lesões polipoides com biópsias adicionais;
  3. programar vigilância endoscópica anual devido ao alto risco de adenocarcinoma gástrico tipo intestinal, iniciar suplementação oral de ferro e vitamina B12 e repetir dosagem de gastrina em seis meses;
  4. encaminhar para antrectomia cirúrgica para redução dos níveis de gastrina e prevenção de tumores neuroendócrinos, associada à reposição parenteral de vitamina B12 em longo prazo;
  5. iniciar inibidor de bomba de prótons em dose plena, programar endoscopia de controle em um ano e orientar suplementação oral de vitamina B12 e ácido fólico.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A paciente apresenta quadro compatível com gastrite atrófica autoimune e anemia por deficiência de vitamina B12: perda de células parietais, hiperplasia de células ECL, gastrina muito elevada, vitamina B12 baixa e ácido metilmalônico elevado. A associação com diabetes tipo 1 e hipotireoidismo reforça origem autoimune.

Solicitar anticorpos anticélulas parietais e antifator intrínseco ajuda a confirmar pernicious anemia. A reposição deve ser parenteral porque a ausência de fator intrínseco compromete a absorção oral.

Há risco aumentado de adenocarcinoma gástrico e de tumores neuroendócrinos tipo I devido à hiperplasia ECL por hipergastrinemia. Por isso é indicado vigilância endoscópica a cada três anos e investigar as lesões polipoides com biópsias adicionais.

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