Questão FC890270
Paciente de 58 anos procura atendimento médico com queixa de tontura rotatória há 3 dias. Refere que os sintomas iniciaram ao virar-se na cama pela manhã, com sensação de que o amb
Otorrinolaringologia
FGV · 2026
Paciente de 58 anos procura atendimento médico com queixa de tontura rotatória há 3 dias. Refere que os sintomas iniciaram ao virar-se na cama pela manhã, com sensação de que o ambiente girava ao seu redor. Os episódios duram cerca de 15 a 30 segundos, são desencadeados por mudanças de posição da cabeça (deitar, levantar, virar-se na cama) e melhoram quando ele permanece imóvel. Nega cefaleia, perda auditiva, zumbido, plenitude auricular ou sintomas neurológicos focais. Relata náusea durante os episódios, sem vômitos. Nega trauma craniano recente. Ao exame físico: marcha sem alterações, ausência de nistagmo espontâneo em posição neutra, ausência de sinais neurológicos focais, otoscopia normal bilateralmente. Foi realizada manobra de Dix-Hallpike à direita, que reproduziu a vertigem com nistagmo rotatório batendo para cima e para a direita, com latência de 3 segundos e duração de 20 segundos, fatigando com repetições.
O diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica inicial adequada para esse caso são:
- neurite vestibular; corticoterapia com prednisona 1 mg/kg/dia por 3 dias com desmame progressivo e reabilitação vestibular precoce;
- vertigem postural paroxística benigna de canal semicircular posterior direito; manobra de reposicionamento canalicular de Epley;
- doença de Ménière; dieta hipossódica, restrição de cafeína e álcool, e betaistina 48 mg/dia divididos em 3 tomadas;
- enxaqueca vestibular; profilaxia com propranolol 80 mg/dia e orientação para identificar e evitar gatilhos alimentares;
- acidente vascular cerebral de fossa posterior; internação hospitalar e neuroimagem urgente com tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Vertigem postural paroxística benigna do canal semicircular posterior direito é o diagnóstico compatível com episódios breves de vertigem desencadeados por mudança de posição, ausência de sintomas auditivos ou neurológicos, e teste de Dix‑Hallpike positivo à direita com nistagmo rotatório de latência curta e fatigamento.
Fisiopatologicamente trata‑se de canalitíase: fragmentos otocóricos livres deslocam‑se no interior do posterior ao mover a cabeça, defletindo a endolinfa e provocando nistagmo typicamente torsional e upbeating.
A conduta inicial é a manobra de reposicionamento canalicular de Epley, objetivo deslocar os detritos do canal para a utrícula. Realiza‑se sequência específica de posições da cabeça com pausas, pode ser repetida e tem alta taxa de sucesso.
Encaminhe para avaliação neurológica/otorrinolaringológica se houver sinais neurológicos focais, perda auditiva, quadro atípico ou falha ao tratamento.
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