Questão FC890299
Homem de 58 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 e diverticulite sigmoide tratada três semanas antes, procura atendimento por febre alta há quatro dias, calafrios, mal-estar
Sem classificação
FGV · 2026
Homem de 58 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 e diverticulite sigmoide tratada três semanas antes, procura atendimento por febre alta há quatro dias, calafrios, mal-estar e dor persistente em hipocôndrio direito. Relata anorexia, náuseas e dificuldade para deambular devido à dor. Ao exame, apresenta temperatura de 38,7 °C e dor à palpação do quadrante superior direito.
Exames laboratoriais revelam:
• leucócitos 16.900/mm³ (VR: 4.000-10.000)
• proteína C reativa 162 mg/L (VR: <5 mg/L)
• fosfatase alcalina discretamente aumentada.
Hemoculturas pendentes. A tomografia de abdômen evidencia coleção hipodensa no lobo hepático direito, medindo 5,2 cm, com realce periférico, múltiplas septações e pequeno foco gasoso intralesional. Não há dilatação de vias biliares.
Ao analisar os achados clínicos, laboratoriais e tomográficos, conclui-se que o diagnóstico e a conduta terapêutica apropriados são, respectivamente:
- abscesso hepático secundário à infecção piógena abdominal, sendo adequado iniciar ceftriaxona associada a metronidazol, além de drenagem percutânea guiada por imagem;
- abscesso hepático de provável origem portal, conduzindo com amoxicilina-clavulanato e monitorização clínica;
- cisto hepático infectado, sendo indicado o uso de piperacilina-tazobactam e seguimento clínico;
- abscesso hepático amebiano, com tratamento baseado em metronidazol e avaliação de resposta clínica antes de qualquer intervenção;
- colangite com formação de coleção hepática, conduzindo com ciprofloxacino associado a metronidazol.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Abscesso hepático piógeno secundário à infecção abdominal é o diagnóstico mais compatível: febre, dor em hipocôndrio direito, leucocitose e PCR muito elevada, associado ao antecedente de diverticulite e à imagem tomográfica com coleção hipodensa, realce periférico, septações e foco gasoso.
Clinicamente isso sugere contaminação por via portal a partir do foco intra‑abdominal, condição favorecida por diabetes. A ausência de dilatação das vias biliares aponta contra origem biliar predominante.
Tratar com antibiótico de amplo espectro contra enterobactérias e anaeróbios é indicado; a combinação de ceftriaxona mais metronidazol cobre adequadamente esses agentes. Hemoculturas são importantes, mas não devem atrasar a terapia.
Além da antibioticoterapia, a drenagem percutânea guiada por imagem é necessária em coleções maiores que 3 cm, multiloculadas ou com ar, promovendo descompressão, cultura do material e melhor resposta clínica.
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