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Questão FC890301

Homem de 58 anos, com diabetes mellitus tipo 2 diagnosticado há oito anos, em uso regular de metformina 850 mg três vezes ao dia e glimepirida 4 mg por dia, procura consulta de rot

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FGV · 2026

Homem de 58 anos, com diabetes mellitus tipo 2 diagnosticado há oito anos, em uso regular de metformina 850 mg três vezes ao dia e glimepirida 4 mg por dia, procura consulta de rotina trazendo resultados de exames solicitados na consulta anterior, há três meses. Refere aderência adequada ao tratamento medicamentoso e relata que realiza automonitorização glicêmica capilar diariamente, em jejum e pré-prandial, com valores habitualmente entre 110 e 140 mg/dL. Nega episódios de hipoglicemia, alterações visuais ou sintomas de neuropatia. Ao exame físico, apresenta IMC 28 kg/m² e pressão arterial de 128 x 82 mmHg, sem outras alterações significativas.

 

Exames laboratoriais atuais:

 

• hemoglobina glicada 9,2% (VR: menor que 5,7%)

• glicemia de jejum 128 mg/dL (VR: 70-99 mg/dL)

• hemoglobina 10,8 g/dL (VR: 13-17 g/dL)

• volume corpuscular médio 108 fL (VR: 80-100 fL)

• leucócitos 5.200/mm³

• plaquetas 180.000/mm³ Exames de três meses atrás:

• hemoglobina glicada 8,8%

• glicemia de jejum 132 mg/dL

• hemoglobina 11,2 g/dL

• volume corpuscular médio 106 fL

• creatinina 0,9 mg/dL

• taxa de filtração glomerular estimada 88 mL/min/1,73m².

 

A explicação mais provável para a discordância entre os valores da hemoglobina glicada e as glicemias capilares, de jejum e pré-prandiais descritos é:

  1. presença de hemoglobinopatia não diagnosticada interferindo na metodologia de dosagem da hemoglobina glicada;
  2. deficiência de vitamina B12 ou folato resultando em baixo turnover de hemácias e predomínio de hemácias senescentes;
  3. discrepância clinicamente não relevante, pois ambas as medidas estão em acordo com o diagnóstico de diabetes; sendo assim, o manejo adequado é aconselhamento nutricional e repetição dos exames em um ano;
  4. episódios frequentes de hiperglicemia pós-prandial não detectados pela automonitorização glicêmica realizada apenas em jejum e períodos pré-prandiais, devendo ser solicitado teste oral de tolerância à glicose;
  5. hemólise crônica subclínica gerando aumento do turnover eritrocitário e consequente elevação falsa da hemoglobina glicada.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a glicação acumulada nas hemácias ao longo de sua vida útil; quanto mais velhas as hemácias, maior a glicação média. Em deficiência de vitamina B12 ou folato há baixo turnover de hemácias por anemia megaloblástica, com predomínio de hemácias senescentes que acumulam mais glicação.

No caso, os achados laboratoriais sustentam essa explicação: Hb baixa e MCV aumentado (10,8 g/dL e 108 fL), e o uso crônico de metformina é fator de risco para deficiência de B12. Isso gera HbA1c elevada apesar de glicemias capilares normais.

Conduta prática: dosar vitamina B12/folato, corrigir a deficiência e, enquanto isso, avaliar controle glicêmico com marcadores alternativos como frutamina ou monitorização contínua.

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