Questão FC890302
Homem de 58 anos, com diagnóstico recente de adenocarcinoma de pâncreas localmente avançado não ressecável, comparece à consulta de oncologia clínica para discussão de tratamento q
Sem classificação
FGV · 2026
Homem de 58 anos, com diagnóstico recente de adenocarcinoma de pâncreas localmente avançado não ressecável, comparece à consulta de oncologia clínica para discussão de tratamento quimioterápico paliativo. Paciente relata emagrecimento de 11 kg nos últimos três meses, astenia progressiva e desconforto abdominal vago. Nega história pessoal ou familiar de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar. Nega tabagismo, etilismo ou uso de outras medicações.
Ao exame físico: paciente emagrecido, pressão arterial 128 x 82 mmHg, frequência cardíaca 76 bpm, IMC 26 kg/m2; abdômen: palpável massa em região epigástrica, indolor, sem sinais de irritação peritoneal; membros inferiores sem edema, sem sinais de trombose venosa; pulsos periféricos palpáveis e simétricos.
Exames laboratoriais pré-quimioterapia:
• hemoglobina 10,2 g/dL (VR: 13,5-17,5 g/dL)
• volume corpuscular médio 88 fL (VR: 80-100 fL)
• leucócitos 12.800/mm³ (VR: 4.000-10.000/mm³)
• plaquetas 420.000/mm³ (VR: 150.000-450.000/mm³)
• função renal e hepática normais
• bilirrubina total 0,8 mg/dL
• albumina 3,4 g/dL
Tomografia computadorizada de abdômen com contraste: massa pancreática de 4,2 centímetros em corpo pancreático com invasão de tronco celíaco e artéria mesentérica superior, múltiplas lesões hepáticas sugestivas de metástases.
Estadiamento: doença metastática.
Paciente será submetido a quimioterapia com esquema FOLFIRINOX modificado ambulatorial com ciclos a cada 14 dias.
Durante a consulta, o oncologista discute com o paciente o risco aumentado de tromboembolismo venoso associado ao câncer de pâncreas e à quimioterapia.
A conduta apropriada para profilaxia primária de tromboembolismo venoso nesse paciente ambulatorial é:
- orientar medidas gerais de prevenção, incluindo hidratação adequada com ingestão de pelo menos 2 litros de líquidos ao dia, evitar imobilização prolongada com caminhadas regulares de 30 minutos diariamente, elevar membros inferiores ao repouso e realizar exercícios de flexão e extensão dos pés periodicamente;
- prescrever meias de compressão elástica graduada de alta compressão (30 a 40 mmHg) para uso contínuo em ambos os membros inferiores durante o dia, orientar retirada apenas para dormir e tomar banho, e associar compressão pneumática intermitente domiciliar por 2 horas ao dia;
- iniciar enoxaparina 40 mg via subcutânea uma vez ao dia de forma contínua durante todo o período de quimioterapia, orientar técnica de autoaplicação ou aplicação por familiar treinado, e reavaliar necessidade de manutenção a cada 3 meses;
- iniciar apixabana 2,5 mg via oral duas vezes ao dia por 180 dias a partir do início da quimioterapia, orientar sobre sinais de sangramento e necessidade de suspensão 48 horas antes de procedimentos invasivos, e reavaliar risco-benefício após 6 meses;
- iniciar rivaroxabana 20 mg via oral uma vez ao dia durante todo o período de quimioterapia, orientar ingestão junto com refeições para melhor absorção, solicitar controle de função renal mensal e suspender se taxa de filtração for inferior a 50 mL/min.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A conduta é iniciar apixabana 2,5 mg via oral duas vezes ao dia por 180 dias, iniciando junto com a quimioterapia. Essa estratégia é indicada em pacientes ambulatoriais com câncer de pâncreas e risco trombótico elevado, para reduzir a incidência de tromboembolismo venoso.
Justificativa: o câncer de pâncreas confere risco muito alto de TVE e neste paciente há sinais laboratoriais que aumentam o risco. Estudos e diretrizes suportam o uso profilático de anticoagulante oral direto em pacientes selecionados, com função renal e hepática adequadas e baixo risco de sangramento.
Condutas práticas: orientar sobre sinais de sangramento, verificar interações medicamentosas e função renal/hepática antes do início, instruir suspensão da apixabana 48 horas antes de procedimentos invasivos e reavaliar risco/benefício após 6 meses.
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