Questão FC890303
Mulher de 48 anos procura atendimento médico para avaliação de rotina. Refere ganho ponderal progressivo nos últimos anos, com aumento da circunferência abdominal. Nega consumo reg
Sem classificação
FGV · 2026
Mulher de 48 anos procura atendimento médico para avaliação de rotina. Refere ganho ponderal progressivo nos últimos anos, com aumento da circunferência abdominal. Nega consumo regular de bebidas alcoólicas (consome esporadicamente em festas, não ultrapassando 20g de etanol/semana). Não faz uso de medicações hepatotóxicas.
Ao exame físico: IMC 32 kg/m², circunferência abdominal 96 cm, pressão arterial 138 x 88 mmHg; restante do exame físico sem particularidades.
Exames laboratoriais:
• glicemia de jejum 118 mg/dL (VR: 70-99 mg/dL)
• hemoglobina glicada 6,2% (VR: <5,7%)
• AST 48 U/L (VR: 10-40 U/L)
• ALT 62 U/L (VR: 10-40 U/L)
• relação AST/ALT 0,77
• fosfatase alcalina 88 U/L (VR: 40-150 U/L)
• GGT 72 U/L (VR: 8-61 U/L)
• bilirrubina total 0,8 mg/dL (VR: 0,3-1,2 mg/dL)
• albumina 4,2 g/dL (VR: 3,5-5,0 g/dL)
• colesterol total 238 mg/dL
• HDL 38 mg/dL (VR: >40 mg/dL em mulheres)
• triglicerídeos 185 mg/dL (VR: <150 mg/dL)
• Plaquetas 220.000/mm³ (VR: 150.000-400.000/mm³)
• sorologias para hepatites B e C negativas
• ferritina 180 ng/mL (VR: 15-150 ng/mL em mulheres)
• anticorpos antinucleares (FAN) negativo
• anticorpo antimitocôndria (AMA) negativo
Ultrassonografia de abdômen superior: fígado com dimensões aumentadas e ecotextura difusamente hiperecogênica, compatível com esteatose hepática moderada a acentuada; vesícula biliar, vias biliares, pâncreas e baço sem alterações. Escore FIB-4 calculado: 1,33.
A conduta apropriada para essa paciente é:
- realizar elastografia transitória por ultrassom (VCTE) para avaliação não invasiva de fibrose hepática;
- solicitar biópsia hepática para estadiamento definitivo da fibrose, considerando o valor indeterminado do FIB-4;
- acompanhar clinicamente com ultrassonografia de abdômen anual, sem necessidade de investigação adicional para fibrose;
- iniciar tratamento com ácido ursodesoxicólico e reavaliar a função hepática em seis meses;
- solicitar ressonância magnética de abdômen com contraste para melhor caracterização da esteatose hepática.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
A paciente apresenta sinais clássicos de esteatose hepática associada à síndrome metabólica (IMC elevado, circunferência abdominal aumentada, glicemia e dislipidemia), com elevação discreta de transaminases. O próximo passo é avaliar o risco de fibrose hepática.
O escore FIB‑4 = \( \dfrac{\text{idade (anos)} \times \text{AST}}{\text{plaquetas} \times \sqrt{\text{ALT}}} \) está em 1,33, valor que costuma ficar na zona indeterminada para fibrose avançada. Nessa situação, recomenda‑se imagem não invasiva complementar.
Realizar elastografia transitória por ultrassom (VCTE) é indicado porque fornece LSM (rigidez hepática) para estimar fibrose e o CAP para quantificar esteatose, sem necessidade de biópsia imediata. Valores baixos de LSM praticamente excluem fibrose avançada; valores altos indicam necessidade de seguimento especializado.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em