Questão FC890307
Mulher de 28 anos, sem comorbidades, apresenta episódios recorrentes de cefaleia pulsátil hemicraniana, acompanhada de fenômenos visuais cintilantes e parestesia em membro superior
Sem classificação
FGV · 2026
Mulher de 28 anos, sem comorbidades, apresenta episódios recorrentes de cefaleia pulsátil hemicraniana, acompanhada de fenômenos visuais cintilantes e parestesia em membro superior direito, com duração média de 40 minutos. No episódio atual, há 5 dias, desenvolveu turvação visual bilateral e dificuldade para nomear objetos, seguidas de cefaleia intensa e náuseas. Refere que os sintomas visuais e da fala persistem parcialmente até o momento. O exame neurológico mostra discreta anomia e lentificação da leitura.
Considerando o quadro clínico e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta imediata indicada são:
- epilepsia parcial com generalização secundária; solicitar eletroencefalograma e iniciar anticonvulsivante de manutenção;
- enxaqueca com infarto migranoso; iniciar antiagregação plaquetária e manter triptanos conforme necessidade;
- enxaqueca hemiplégica familiar; realizar triagem genética e iniciar bloqueador de canal de cálcio profilático;
- aura típica prolongada; manter tratamento habitual com anti-inflamatórios e retorno ambulatorial;
- enxaqueca com aura persistente sem infarto; solicitar ressonância magnética com angiorressonância e evitar o uso de triptanos até exclusão de evento vascular.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A apresentação de episódios típicos de cefaléia pulsátil unilateral com fenómenos visuais cintilantes e parestesias, seguida por sintomas neurológicos que persistem dias após o início, é compatível com enxaqueca com aura persistente sem infarto. A fisiopatologia envolve a depolarização cortical em propagação, que provoca alterações temporárias do córtex visual e das áreas de linguagem, explicando diplopia, anomia e leitura lenta.
Como conduta imediata, é imprescindível solicitar ressonância magnética com angiorressonância para excluir evento isquêmico agudo, dissecção ou vasculopatia. Enquanto a etiologia vascular não for descartada, deve-se evitar o uso de triptanos, dado seu efeito vasoconstritor e risco potencial em presença de doença vascular cerebral.
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