Questão FC890315
Mulher, 63 anos, analista judiciária, portadora de hipertensão arterial e dislipidemia, compareceu para consulta de rotina. Relatou cansaço leve e unhas quebradiças, sem outras que
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FGV · 2026
Mulher, 63 anos, analista judiciária, portadora de hipertensão arterial e dislipidemia, compareceu para consulta de rotina. Relatou cansaço leve e unhas quebradiças, sem outras queixas. Faz uso de losartana 50 mg/dia e sinvastatina 20 mg/dia.
Ao exame físico: tireoide de tamanho normal, indolor e sem nódulos palpáveis; PA = 132/82 mmHg; FC = 64 bpm.
Traz exames laboratoriais de rastreio: TSH = 8,2 mIU/L (valor de referência: 0,4 a 4,5 mIU/L) e T4 livre = 1,1 ng/dL (valor de referência: 0,8 a 1,8 ng/dL). O exame foi repetido após 12 semanas, confirmando TSH = 7,9 mIU/L e T4 livre normal. A pesquisa de anticorpos anti-peroxidase (Anti-TPO) foi positiva.
Para esse caso, de acordo com o Consenso Brasileiro de Hipotireoidismo e evidências recentes, assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
- Iniciar imediatamente levotiroxina 1,6 mcg/kg/dia, visando normalizar o TSH para valores entre 0,5 e 2,5 mIU/L devido à presença de sintomas.
- Indicar a realização de ultrassonografia de tireoide com doppler para avaliar a vascularização e decidir sobre a reposição hormonal.
- Manter conduta expectante com nova dosagem de TSH em 6 meses, pois o tratamento do hipotireoidismo subclínico só é indicado para TSH > 10 mIU/L em qualquer faixa etária.
- Iniciar levotiroxina em dose baixa (ex.: 25 a 50 mcg/dia), considerando a positividade do anti-tpo e o risco cardiovascular associado à dislipidemia e hipertensão.
- Prescrever lugol (iodo) e selênio para otimizar a conversão periférica de t4 em t3, evitando o uso precoce de hormônio sintético.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Levotiroxina em dose baixa (25–50 mcg/dia) é indicada neste caso porque a paciente apresenta TSH persistentemente elevado na faixa de hipertireoidismo subclínico (≈8 mIU/L) com T4 livre normal e anticorpo anti‑TPO positivo. A positividade de anti‑TPO aumenta a probabilidade de evolução para hipotireoidismo franco e justifica tratamento quando há fatores de risco.
Além disso, a paciente tem risco cardiovascular por dislipidemia e hipertensão; a correção do hipotireoidismo subclínico pode beneficiar o perfil lipídico e reduzir riscos. Em idosas, iniciar em dose baixa minimiza o risco de iatrogenia (fibrilação atrial, isquemia).
Monitorização: reavaliar TSH após 6–8 semanas após cada ajuste e ajustar a dose até normalizar o TSH, evitando supressão excessiva. Verificar interação com suplementos de cálcio/ferro e orientar toma em jejum para otimizar absorção.
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