Questão FC890319
Mulher, 42 anos, técnica judiciária, procura atendimento ambulatorial com história de dor epigástrica em queimação há cerca de 2 meses, com piora no período pós-prandial tardio e m
Sem classificação
FGV · 2026
Mulher, 42 anos, técnica judiciária, procura atendimento ambulatorial com história de dor epigástrica em queimação há cerca de 2 meses, com piora no período pós-prandial tardio e melhora após ingestão de alimentos. Refere episódios ocasionais de náuseas, sem vômitos ou perda ponderal significativa. Nega uso crônico de anti-inflamatórios. Relata ter feito uso de azitromicina há 4 meses para tratamento de sinusite.
Foi submetida à Endoscopia Digestiva Alta (EDA), que evidenciou úlcera em bulbo duodenal de 0,8 cm, com base limpa (Forrest III). Durante o exame, o teste rápido da urease foi positivo.
A paciente não apresenta alergias medicamentosas conhecidas e não faz uso atual de antibióticos ou inibidores de bomba de prótons.
De acordo com as recomendações mais recentes do V Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori e as diretrizes internacionais, assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
- Iniciar terapia tripla clássica com ibp, amoxicilina e claritromicina por 7 dias, considerando a ausência de uso recente de macrolídeos.
- Iniciar terapia tripla otimizada com ibp, amoxicilina e claritromicina por 14 dias, uma vez que ainda é esquema eficaz em pacientes sem falha prévia documentada.
- Iniciar terapia quádrupla concomitante (ibp, amoxicilina, claritromicina e metronidazol) por 14 dias, devido à elevada taxa de resistência à claritromicina.
- Iniciar terapia quádrupla com bismuto (ibp, bismuto, tetraciclina e metronidazol), apenas após falha da terapia tripla inicial.
- Tratar inicialmente apenas a úlcera com ibp por 6 a 8 semanas e realizar erradicação do helicobacter pylori após cicatrização completa da lesão.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A conduta correta é iniciar terapia quádrupla concomitante: inibidor de bomba de prótons (PPI), amoxicilina, claritromicina e metronidazol por 14 dias. Esse esquema combina dois antibióticos de espectros diferentes com PPI para maximizar a erradicação de Helicobacter pylori.
Justifica-se por dois motivos: a paciente teve uso prévio de azitromicina, o que aumenta o risco de resistência aos macrolídeos, e as diretrizes recomendam evitar esquemas baseados apenas em claritromicina quando há elevada prevalência de resistência. A terapia concomitante mantém alta taxa de sucesso mesmo na presença de alguma resistência.
Como não há alergias conhecidas nem uso atual de PPI/antibióticos, o esquema é apropriado. É essencial realizar o teste de cura (teste respiratório ou antígeno fecal) pelo menos 4 semanas após o término da terapia e após suspensão do PPI por 2 semanas.
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