Questão FC89063
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende?
Sintaxe
CEBRASPE (CESPE) · 2022
“Posso ajudá-lo, cavalheiro?”
“Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...”
“Pois não?”
“Um... como é mesmo o nome?”
“Sim?”
“Pomba! Um... um... Que cabeça a minha! A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.”
“Sim, senhor.”
“O senhor vai dar risada quando souber.”
“Sim, senhor.”
“Olha, é pontuda, certo?”
“O quê, cavalheiro?”
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende?
Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta; a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”
“Infelizmente, cavalheiro...”
“Ora, você sabe do que eu estou falando.”
“Estou me esforçando, mas...”
“Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”
“Se o senhor diz, cavalheiro.”
Luís Fernando Veríssimo. Comunicação.
Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.Assim como o termo ‘cavalheiro’ em ‘Posso ajudá-lo, cavalheiro?’ (segundo parágrafo), o termo ‘senhor’, em ‘O senhor vai dar risada quando souber’ (nono parágrafo), exerce função de vocativo no texto, dado que é empregado para chamar, de forma cordial, o interlocutor.
- Errado
- Certo
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O item é ERRADO porque confunde função de palavra com seu papel sintático. Em "Posso ajudá-lo, cavalheiro?", "cavalheiro" é vocativo, pois serve para chamar o interlocutor, não tem relação sintática com o resto da oração e costuma ser isolado por vírgula.
Já em "O senhor vai dar risada quando souber", "senhor" integra o núcleo do sujeito da oração, ou seja, é sujeito. Ele concorda com o verbo "vai" e é necessário para o sentido completo da frase, portanto não pode ser tratado como vocativo.
Teste prático: retire "senhor" e a frase perde o sujeito; no caso do vocativo, a oração continua com sentido sem ele. Esse contraste justifica o julgamento.
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