Questão FC89151
Texto CG1A1-I A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentais passou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unida
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
CEBRASPE (CESPE) · 2021
A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentais passou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidade entre linguagem, desejo e trabalho. As narrativas de sofrimento da comunidade ou dos familiares com quem se vive, a própria versão do paciente, o seu “lugar de fala” diante do transtorno, tornaram-se epifenômenos, acidentes que não alteram a rota do que devemos fazer: correção educacional de pensamentos distorcidos e medicação exata.
Quarenta anos depois, acordamos em meio a uma crise global de saúde mental, com elevação de índices de suicídio, medicalização massiva receitada por não psiquiatras e insuficiência de recursos para enfrentar o problema.
Esse é o custo de desprezar a cultura como instância geradora de mediações de linguagem necessárias para que enfrentemos o sofrimento antes que ele evolua para a formação de sintomas. Esse é o desserviço dos que imaginam que teatro, literatura, cinema e dança são apenas entretenimento acessório — como se a ampliação e a diversidade de nossa experiência cultural não fossem essenciais para desenvolver capacidade de escuta e habilidades protetivas em saúde mental. Como se eles não nos ensinassem como sofrer e, reciprocamente, como tratar o sofrimento no contexto coletivo e individual do cuidado de si.
Christian Dunker. A Arte da quarentena para principiantes.
São Paulo: Boitempo, 2020, p. 32-33 (com adaptações).
Julgue o próximo item, relativos aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.O emprego dos dois-pontos no parágrafo se justifica por introduzir exemplos.
- Errado
- Certo
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A marcação ERRADO se deve ao fato de que, no contexto dado, os dois-pontos não introduzem exemplos, mas sim uma explicação ou resumo do que foi afirmado antes.
Contexto: “…não alteram a rota do que devemos fazer: correção educacional de pensamentos distorcidos e medicação exata.”
Aqui o segmento após os dois-pontos esclarece qual é essa "rota do que devemos fazer", funcionando como aposto explicativo ou conclusão resumida da oração anterior, e não como lista exemplificativa.
Regra prática: os dois-pontos servem para introduzir citação, enumeração, aposto explicativo ou marcar pausa entre orações. No enunciado, predomina a relação de explicação, portanto a justificativa "introduzir exemplos" está incorreta.
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