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Questão FC89215

A sociedade que não proporciona liberdade — direito do homem que reconhece a ele o poder de escolha nos diversos campos da vida social — aos seus membros, a rigor, não se justifica

Concordância (Verbal e Nominal)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

A sociedade que não proporciona liberdade — direito do homem que reconhece a ele o poder de escolha nos diversos campos da vida social — aos seus membros, a rigor, não se justifica. A liberdade, ainda que não absoluta, é meta e essência da sociedade.

São extremos: de um lado, a utópica sociedade perfeita, ou seja, essencialmente democrática, liberal e sem injustiças econômicas, educacionais, de saúde, culturais etc. Nela, a liberdade é absoluta. Do outro lado, a sociedade imperfeita, desigual, não democrática, injusta, repleta dos mais graves vícios econômicos, de educação, de saúde, culturais etc. Nesta, a liberdade é inexistente.

Entre os extremos está a sociedade real, a de fato, a verdadeira ou efetiva, aquela na qual os problemas econômicos, educacionais, de saúde, culturais etc. existem em infinitos níveis intermediários.

As três sociedades — perfeita, imperfeita e real — “existem”, cada qual com a sua estabilidade interna de convivência, de forma que os seus membros experimentam relações entre si com a liberdade possível. Quanto mais imperfeita é a sociedade, menos liberdade os indivíduos possuem e maior é a tendência de convivência impossível. Na outra ponta, quanto mais a sociedade está próxima da perfeição, mais próximos da liberdade absoluta estão os indivíduos. Há a convivência ótima.

A sociedade real, por seu turno, pode ter maior ou menor segurança pública. Numa sociedade real, a maior segurança pública possível é aquela compatível com o equilíbrio dinâmico social, ou seja, adequada à convivência social estável. Não mais e não menos que isso. Logo, para se ter segurança pública, há que se buscar constantemente alcançar e preservar o equilíbrio na sociedade real pela permanente perseguição à ordem pública.
 

D’Aquino Filocre. Revisita à ordem pública. In:

Revista de Informação Legislativa, Brasília, out.– dez./2009. Internet: (com adaptações).


A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

A correção gramatical do texto seria mantida se a forma verbal ‘existem’ (quarto parágrafo) fosse substituída pela forma no singular — existe —, caso em que o verbo passaria a ser considerado impessoal.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A resposta foi julgada ERRADO porque trata-se de concordância verbal: o verbo deve concordar com o sujeito, mais precisamente com o núcleo do sujeito.

No trecho o sujeito é "As três sociedades", cujo núcleo é o substantivo plural sociedades, portanto o verbo precisa aparecer no plural, existem, e não no singular existe.

O verbo existir aqui não é impessoal, ele concorda com o sujeito. Verbos impessoais, que não têm sujeito, permanecem no singular; exemplo disso é o verbo haver com sentido de existir, que fica sempre no singular: havia problemas.

Conclusão: substituir existem por existe alteraria a concordância e tornaria a frase incorreta.

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