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Questão FC89430

A língua que falamos molda a forma como enxergamos as coisas. Cada idioma tem seus recursos e expressões, e isso tudo pode contribuir para que uma mesma situação ganhe interpretaçõ

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CEBRASPE (CESPE) · 2022

A língua que falamos molda a forma como enxergamos as coisas. Cada idioma tem seus recursos e expressões, e isso tudo pode contribuir para que uma mesma situação ganhe interpretações diferentes. Ao comentar sobre o pouco tempo que tem de almoço, por exemplo, uma pessoa que fala inglês ou sueco provavelmente utilizaria o termo “pausa curta”. Para falantes de espanhol e grego, porém, o momento seria descrito como uma “pequena pausa”.

Essas variações na linguagem podem influenciar a percepção que cada pessoa tem sobre o tempo. E o caso mais interessante vem daqueles que falam mais de um idioma. Quem é bilíngue tem uma “chavinha” no cérebro, alterada de acordo com a língua que será utilizada.

Para determinar essa relação, alguns pesquisadores analisaram um grupo de 80 voluntários, composto metade por espanhóis e metade por suecos, que foram submetidos a alguns experimentos psicológicos.

No primeiro, eles tinham de assistir a uma animação de computador que mostrava duas linhas, que cresciam a partir de um ponto. Uma delas levava três segundos para atingir o tamanho de quatro polegadas. A outra crescia até atingir seis polegadas, no mesmo tempo. Após acompanharem as cenas, os voluntários eram orientados a manifestar suas impressões, estimando quanto tempo as linhas levaram para atingir seus tamanhos finais.

Os pesquisadores esperavam que os suecos tivessem mais dificuldade em acertar esse tempo. E foi exatamente o que aconteceu: para eles, a linha maior teria demorado mais que a outra para chegar às seis polegadas. Enquanto isso, espanhóis indicaram a duração do experimento com mais precisão — independentemente do tamanho de cada linha.

De acordo com os cientistas, o observado tem relação direta com a maneira como ambas as culturas quantificam o tempo.

O que tudo isso sugere é que, sob certas condições, a linguagem pode ter um peso maior que a rapidez de pensamento. Isso quer dizer que somente o fato de os pensamentos serem em certo idioma já pode ser responsável por uma desvantagem em determinada tarefa.

A boa notícia é que aprender novas línguas significa quebrar essa barreira, nos tornando capazes de perceber nuances que não conseguiríamos antes.
 

Internet: <www.super.abril.com.br> (com adaptações).

Considerando as ideias e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

As expressões “Uma delas” (segundo período do quarto parágrafo) e “A outra” (terceiro período do quarto parágrafo) remetem, respectivamente, a “animação de computador” e a “duas linhas” (ambas no primeiro período do quarto parágrafo).
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O item foi julgado ERRADO porque as expressões “Uma delas” e “A outra” retomam explicitamente o sintagma anterior “duas linhas”, não “animação de computador”.

Linguisticamente, trata‑se de uma referência pronominal: “uma delas” significa “uma dessas duas linhas” e “a outra” significa “a outra linha (dessas duas)”. O pronome delas está no plural, concordando em número com duas linhas, e a sequência sintática torna esse antecedente o mais próximo e natural.

Embora animação de computador seja feminina, ela é singular e refere o conjunto cena, não as duas partes internas, portanto não é o referente adequado. Em suma, a coesão do trecho aponta para duas linhas como antecedente, por isso a assertiva é incorreta.

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