Questão FC89470
Texto CG1A1-I A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentaispassou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidad
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
CEBRASPE (CESPE) · 2021
A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentaispassou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidade entre linguagem, desejo e trabalho. As narrativas de sofrimento da comunidade ou dos familiares com quem se vive, a própria versão do paciente, o seu “lugar de fala” diante do transtorno, tornaram-se epifenômenos, acidentes que não alteram a rota do que devemos fazer: correção educacional de pensamentos distorcidos e medicação exata.
Quarenta anos depois, acordamos em meio a uma crise global de saúde mental, com elevação de índices de suicídio, medicalização massiva receitada por não psiquiatras e insuficiência de recursos para enfrentar o problema.
Esse é o custo de desprezar a cultura como instância geradora de mediações de linguagem necessárias para que enfrentemos o sofrimento antes que ele evolua para a formação de sintomas. Esse é o desserviço dos que imaginam que teatro, literatura, cinema e dança são apenas entretenimento acessório — como se a ampliação e a diversidade de nossa experiência cultural não fossem essenciais para desenvolver capacidade de escuta e habilidades protetivas em saúde mental. Como se eles não nos ensinassem como sofrer e, reciprocamente, como tratar o sofrimento no contexto coletivo e individual do cuidado de si.
Christian Dunker. A Arte da quarentena para principiantes.
São Paulo: Boitempo, 2020, p. 32-33 (com adaptações).
Julgue o próximo item, relativos aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.
O termo “Esse”, que inicia o terceiro parágrafo, retoma toda a ideia veiculada pelo segundo parágrafo.
- Certo
- Errado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
“Esse” atua como pronome anafórico, ou seja, retoma um enunciado anterior no próprio texto. Ele remete à oração do segundo parágrafo que descreve a situação: “Quarenta anos depois, acordamos em meio a uma crise global de saúde mental, com elevação de índices de suicídio, medicalização massiva ... e insuficiência de recursos”.
Ao usar “Esse” o autor liga explicitamente a constatação do parágrafo anterior à interpretação que segue: essa conjuntura é apresentada como o custo de desprezar a cultura como instância de mediação da linguagem e proteção em saúde mental.
Trata‑se, portanto, de um recurso de coesão chamado anáfora, que assegura continuidade ideacional entre parágrafos, em contraste com a catáfora e os elementos dêiticos, que referem a termos posteriores ou ao contexto extratextual, respectivamente.
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