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Questão FC89511

Estabelecer fronteiras é o fenômeno originário da violência instauradora do direito em geral, segundo Walter Benjamin, autor do ensaio Para uma crítica da violência, de 1921. O ato

Ortografia

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Estabelecer fronteiras é o fenômeno originário da violência instauradora do direito em geral, segundo Walter Benjamin, autor do ensaio Para uma crítica da violência, de 1921. O ato jurídico-político originário é o estabelecimento de fronteiras que delimitam dentro e fora, incluídos e excluídos, amigos e inimigos da pátria. Em seus primórdios, “todo direito foi um direito de prerrogativa (ou privilégio) dos reis ou dos grandes; em suma: dos poderosos”. O privilégio primordial de apropriar a terra, nomeá-la e ordená-la indica o nexo território-Estado-nascimento que caracteriza o antigo e ainda atual nómos da terra, do qual o fechamento de fronteiras em tempos de pandemia é mero sintoma. Se a figura do refugiado nos é tão inquietante, é porque coloca em questão uma vida humana em terra de ninguém.

Em O nómos da terra, o controverso jurista alemão Carl Schmitt, com quem Benjamin trocou correspondências, descreve a origem do termo nómos, palavra grega para “lei”. Nómos indica a ordenação espacial original necessária para o estabelecimento de toda e qualquer ordem jurídica. Nómos indica que o direito está objetivamente enraizado na apropriação da terra. A constituição jurídica de um nómos, ou seja, a apropriação jurídica do espaço, tem por pressuposto a capacidade de nomear. No termo alemão landnahme, apropriação ou tomada da terra, encontramos o termo nahme, antiga grafia de name, que significa “nome”. Nomear e constituir uma ordem jurídica são atos similares, na medida em que implicam apropriação. Exemplos históricos — incrivelmente ainda frequentes — são a imposição do nome do marido à mulher, que é “tomada em casamento”, ou o patronímico imposto à criança no momento do nascimento.
 

Internet: <https://revistacultc.omu oblr.> (com adaptações).


Julgue o item que se segue, relativos aos aspectos linguísticos do texto anterior.

O emprego do acento agudo em “nomeá-la” e “ordená-la”, no primeiro parágrafo, justifica-se pela mesma regra de acentuação gráfica.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O julgamento CERTO se explica porque tanto nomeá-la quanto ordená-la atendem à mesma regra: são formas do infinitivo verbal que, ao receber o pronome enclítico -la, precisam de marca gráfica para conservar a tonicidade original do verbo.

Sem o acento, a adição do pronome deslocaria a posição final da sílaba tônica segundo as regras de acentuação; assim, impõe‑se o acento agudo no a tônico do verbo (nomeár → nomeá‑la; ordenar → ordená‑la) para indicar que a sílaba permanece tônica. A mesma operação fonológica e gráfica explica ambos os casos.

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