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Questão FC89554

Texto CG1A1-I A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentaispassou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidad

Morfologia

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Texto CG1A1-I

A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentaispassou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidade entre linguagem, desejo e trabalho. As narrativas de sofrimento da comunidade ou dos familiares com quem se vive, a própria versão do paciente, o seu “lugar de fala” diante do transtorno, tornaram-se epifenômenos, acidentes que não alteram a rota do que devemos fazer: correção educacional de pensamentos distorcidos e medicação exata.

Quarenta anos depois, acordamos em meio a uma crise global de saúde mental, com elevação de índices de suicídio, medicalização massiva receitada por não psiquiatras e insuficiência de recursos para enfrentar o problema.

Esse é o custo de desprezar a cultura como instância geradora de mediações de linguagem necessárias para que enfrentemos o sofrimento antes que ele evolua para a formação de sintomas. Esse é o desserviço dos que imaginam que teatro, literatura, cinema e dança são apenas entretenimento acessório — como se a ampliação e a diversidade de nossa experiência cultural não fossem essenciais para desenvolver capacidade de escuta e habilidades protetivas em saúde mental. Como se eles não nos ensinassem como sofrer e, reciprocamente, como tratar o sofrimento no contexto coletivo e individual do cuidado de si.
 

Christian Dunker. A Arte da quarentena para principiantes.

São Paulo: Boitempo, 2020, p. 32-33 (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativos aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.

No parágrafo, o emprego da forma verbal “evolua”, que está no modo subjuntivo, é determinado pela forma verbal “enfrentemos”, também no subjuntivo.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é ERRADO porque a forma verbal evolua está no modo subjuntivo em virtude da conjunção temporal antes que, que exige subjuntivo para indicar possibilidade ou ação não concretizada.

Independe, portanto, da forma verbal enfrentemos; a flexão de evolua é determinada pela conjunção temporal, não pela outra oração.

Por sua vez, enfrentemos também aparece no subjuntivo, mas por motivo distinto: decorre da conjunção final para que, que pede subjuntivo para indicar finalidade.

Mesmo que se substituísse "para que enfrentemos" por "para enfrentarmos" (infinitivo), isso não alteraria a exigência do subjuntivo imposta por antes que, logo evolua permaneceria no subjuntivo.

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