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Questão FC89645

A língua que falamos molda a forma como enxergamos as coisas. Cada idioma tem seus recursos e expressões, e isso tudo pode contribuir para que uma mesma situação ganhe interpretaçõ

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2022

A língua que falamos molda a forma como enxergamos as coisas. Cada idioma tem seus recursos e expressões, e isso tudo pode contribuir para que uma mesma situação ganhe interpretações diferentes. Ao comentar sobre o pouco tempo que tem de almoço, por exemplo, uma pessoa que fala inglês ou sueco provavelmente utilizaria o termo “pausa curta”. Para falantes de espanhol e grego, porém, o momento seria descrito como uma “pequena pausa”.

Essas variações na linguagem podem influenciar a percepção que cada pessoa tem sobre o tempo. E o caso mais interessante vem daqueles que falam mais de um idioma. Quem é bilíngue tem uma “chavinha” no cérebro, alterada de acordo com a língua que será utilizada.

Para determinar essa relação, alguns pesquisadores analisaram um grupo de 80 voluntários, composto metade por espanhóis e metade por suecos, que foram submetidos a alguns experimentos psicológicos.

No primeiro, eles tinham de assistir a uma animação de computador que mostrava duas linhas, que cresciam a partir de um ponto. Uma delas levava três segundos para atingir o tamanho de quatro polegadas. A outra crescia até atingir seis polegadas, no mesmo tempo. Após acompanharem as cenas, os voluntários eram orientados a manifestar suas impressões, estimando quanto tempo as linhas levaram para atingir seus tamanhos finais.

Os pesquisadores esperavam que os suecos tivessem mais dificuldade em acertar esse tempo. E foi exatamente o que aconteceu: para eles, a linha maior teria demorado mais que a outra para chegar às seis polegadas. Enquanto isso, espanhóis indicaram a duração do experimento com mais precisão — independentemente do tamanho de cada linha.

De acordo com os cientistas, o observado tem relação direta com a maneira como ambas as culturas quantificam o tempo.

O que tudo isso sugere é que, sob certas condições, a linguagem pode ter um peso maior que a rapidez de pensamento. Isso quer dizer que somente o fato de os pensamentos serem em certo idioma já pode ser responsável por uma desvantagem em determinada tarefa.

A boa notícia é que aprender novas línguas significa quebrar essa barreira, nos tornando capazes de perceber nuances que não conseguiríamos antes.
 

Internet: <www.super.abril.com.br> (com adaptações).


Considerando as ideias e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

A palavra ‘chavinha’ (terceiro período do segundo parágrafo) é empregada no texto em sentido denotativo, como sinônima de meio de acesso, a despeito do valor afetivo que o uso do diminutivo adquire no contexto
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é ERRADA porque, no trecho, chavinha não aparece em seu sentido literal. Em linguística, distingue-se sentido denotativo, o significado próprio e concreto de uma palavra, de sentido conotativo, quando a palavra é usada metaforicamente.

No texto, chavinha não designa um objeto físico, uma pequena chave, mas uma imagem para a capacidade mental de "acionar" ou "ativar" uma língua. Como ninguém tem uma chave real no cérebro, o uso é figurado, uma metáfora para um mecanismo cognitivo.

O diminutivo acrescenta tom afetivo ou coloquial, porém não transforma o termo em denotativo nem o torna sinônimo literal de meio de acesso. Por isso a sentença foi corretamente julgada como errada.

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