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Questão FC89660

Texto CB1A1-I Não estamos opondo máquinas a ecologia, como se as máquinas fossem aquelas coisas que só servem para violentar a Mãe Natureza e violar a harmonia entre o ser humano e

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Texto CB1A1-I

Não estamos opondo máquinas a ecologia, como se as máquinas fossem aquelas coisas que só servem para violentar a Mãe Natureza e violar a harmonia entre o ser humano e a natureza ― uma imagem atribuída à tecnologia desde o fim do século XVIII. Também não estamos seguindo a hipótese de Gaia de que a Terra é um único superorganismo ou uma coletividade de organismos. Em vez disso, gostaria de propor uma reflexão sobre a ecologia das máquinas. Para dar início a essa ecologia das máquinas, precisamos primeiro voltar ao conceito de ecologia. Seu fundamento está na diversidade, já que é apenas com biodiversidade (ou multiespécies que incluam todas as formas de organismos, até mesmo bactérias) que os sistemas ecológicos podem ser conceitualizados. A fim de discutir uma ecologia de máquinas, precisaremos de uma noção diferente e em paralelo com a de biodiversidade ― uma noção a que chamamos tecnodiversidade. A biodiversidade é o correlato da tecnodiversidade, uma vez que sem esta só testemunharemos o desaparecimento de espécies diante de uma racionalidade homogênea. Tomemos como exemplo os pesticidas, que são feitos para matar certa espécie de insetos independentemente de sua localização geográfica, precisamente porque são baseados em análises químicas e biológicas. Sabemos, no entanto, que o uso de um mesmo pesticida pode levar a diversas consequências desastrosas em biomas diferentes. Antes da invenção dessas substâncias, empregavam-se diferentes técnicas para combater os insetos que ameaçavam as colheitas dos produtos agrícolas ― recursos naturais encontrados na região, por exemplo. Ou seja, havia uma tecnodiversidade antes do emprego de pesticidas como solução universal. Os pesticidas aparentam ser mais eficientes a curto prazo, mas hoje é fato bastante consolidado que estávamos o tempo todo olhando para os nossos pés quando pensávamos em um futuro longínquo. Podemos dizer que a tecnodiversidade é, em essência, uma questão de localidade. Localidade não significa necessariamente etnocentrismo ou nacionalismo, mas é aquilo que nos força a repensar o processo de modernização e de globalização e que nos permite refletir sobre a possibilidade de reposicionar as tecnologias modernas.
 

Yuk Hui. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu Editora, 2020, p. 122-123 (com adaptações).

Ainda com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.

No trecho “A biodiversidade é o correlato da tecnodiversidade”, a palavra “correlato” tem o mesmo sentido de análogo.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A palavra correlato indica algo que mantém correlação, correspondência ou paralelismo com outra coisa, portanto guarda relação de semelhança funcional ou conceitual com o termo a que se refere. Nesse sentido, pode ser usada como sinônimo próximo de análogo, que significa semelhante ou comparável.

No trecho, o autor estabelece um paralelo entre biodiversidade e tecnodiversidade, isto é, propõe que a diversidade biológica tem seu correspondente na diversidade técnica. O exemplo dos pesticidas, que substituíram soluções locais diversificadas por uma resposta uniforme, ilustra a perda dessa correspondência, reforçando a ideia de analogia entre os dois conceitos.

Por isso, julgar a afirmação como CERTO é adequado, pois correlato e análogo expressam a mesma relação de similaridade e correspondência pretendida pelo autor.

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