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Questão FC89707

D. Amélia conformava-se com as impertinências do marido. Cada vez mais sentia ela que a doença do seu Lula morreria com ele. Não lutou mais, não sofreu mais. Era tudo como Deus qui

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

D. Amélia conformava-se com as impertinências do marido. Cada vez mais sentia ela que a doença do seu Lula morreria com ele. Não lutou mais, não sofreu mais.
Era tudo como Deus quisesse. A vida que tinha que viver seria aquela, sem outro remédio que vivê-la. Tinha pena da filha, mas ao mesmo tempo para que lhe desejar casamento que fosse como o seu? Para que ligar-se a um homem que viesse magoá-la, arrancar-lhe a paz de espírito? Via Neném no seu jardim, nos seus silêncios, na sua paz e não se queixava de não vê-la casada. Iam comendo com o pouco que faziam. É verdade que cada ano que se passava mais o Santa Fé minguava, menos fazia. O feitor que Lula botara para ver tudo não era homem de tino, era para ser mandado. E quem mandaria nele? As coisas caminhavam como água de rio, com a correnteza levando tudo. Tinha às vezes vontade de chamar o feitor e dar ordens, mas não queria irritar o marido, era homem que não podia se contrariar.
 

José Lins do Rego. Fogo morto. 47.ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957, p. 164.


Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

No trecho “Para que ligar-se a um homem que viesse magoá-la, arrancar-lhe a paz de espírito?”, D. Amélia interpela o leitor do texto.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: O gabarito é ERRADO porque a interpretação do trecho em questão não considera corretamente a natureza da fala apresentada. No trecho “Para que ligar-se a um homem que viesse magoá-la, arrancar-lhe a paz de espírito?”, D. Amélia não está realmente fazendo uma pergunta ao leitor, mas sim refletindo sobre sua situação e suas emoções.

Essa estrutura indica uma forma de discurso indireto livre, em que as ideias e sentimentos da personagem estão sendo expressos pelo narrador, sem a necessidade de travessão ou aspas, que caracterizariam uma fala direta. Portanto, o que temos aqui não é uma interpelção ao leitor, mas uma expressão dos pensamentos de D. Amélia sobre as relações e decisões que cercam sua vida.

Em resumo, o trecho não é uma pergunta retórica que busca envolver o leitor, mas sim uma reflexão interna da personagem sobre a vida que deseja para sua filha, demonstrando seus medos e desilusões. Sendo assim, a afirmativa de que D. Amélia interpela o leitor é incorreta.

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