Questão FC89709
D. Amélia conformava-se com as impertinências do marido. Cada vez mais sentia ela que a doença do seu Lula morreria com ele. Não lutou mais, não sofreu mais. Era tudo como Deus qui
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2021
Era tudo como Deus quisesse. A vida que tinha que viver seria aquela, sem outro remédio que vivê-la. Tinha pena da filha, mas ao mesmo tempo para que lhe desejar casamento que fosse como o seu? Para que ligar-se a um homem que viesse magoá-la, arrancar-lhe a paz de espírito? Via Neném no seu jardim, nos seus silêncios, na sua paz e não se queixava de não vê-la casada. Iam comendo com o pouco que faziam. É verdade que cada ano que se passava mais o Santa Fé minguava, menos fazia. O feitor que Lula botara para ver tudo não era homem de tino, era para ser mandado. E quem mandaria nele? As coisas caminhavam como água de rio, com a correnteza levando tudo. Tinha às vezes vontade de chamar o feitor e dar ordens, mas não queria irritar o marido, era homem que não podia se contrariar.
José Lins do Rego. Fogo morto. 47.ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957, p. 164.
Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.No trecho “As coisas caminhavam como água de rio, com a correnteza levando tudo” (R. 13 e 14), o narrador caracteriza o ritmo dos acontecimentos por meio de elementos da natureza que evocam a situação descrita.
- Certo
- Errado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: O gabarito é CERTO porque, no trecho “As coisas caminhavam como água de rio, com a correnteza levando tudo”, o narrador utiliza uma metáfora que se refere ao funcionamento da natureza para descrever a passividade e a inevitabilidade dos acontecimentos na vida de D. Amélia. A imagem das águas de um rio sugere que a vida dela segue um percurso determinado, sem possibilidade de retorno ou controle, refletindo uma aceitação do que lhe acontece.
Esse recurso literário é importante, pois estabelece uma conexão entre a experiência de D. Amélia e o fluxo natural do rio, ilustrando sua resignação perante as adversidades e a falta de poder sobre seu destino. A ideia de que a correnteza leva tudo reforça a noção de que, assim como a água segue seu curso, D. Amélia se vê levada pelos acontecimentos, sem lutar contra eles. Portanto, a comparação com elementos da natureza serve para caracterizar não apenas o ritmo dos acontecimentos, mas também o estado emocional da personagem, que se conforma e se submete à sua realidade.
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