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Questão FC89732

Há violências da moral patriarcal que instauram a solidão; outras marcam a lei no corpo das mulheres — assim sobrevive Maria da Penha; outras aniquilam a vida, como é a história de

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Há violências da moral patriarcal que instauram a solidão; outras marcam a lei no corpo das mulheres — assim sobrevive Maria da Penha; outras aniquilam a vida, como é a história de mulheres assassinadas pela fúria do gênero. Entre 2006 e 2011, o Instituto Médico Legal do Distrito Federal foi o destino de 81 mulheres mortas pelo gênero. Foram 337 mortes violentas de mulheres que chegaram ao IML. Dessas, somente 180 processos judiciais foram localizados, dos quais 81 eram de violência doméstica. Muitas delas saíram do espaço da casa como asilo (“lugar onde ficam isentos da execução das leis os que a ele se recolhem”) para o necrotério. Essas mulheres, as verdadeiras testemunhas de como a moral patriarcal inscreve nos corpos a sentença de subordinação, são anônimas e não nos contam suas histórias em primeira pessoa. Acredita-se poder biografá-las por diferentes gêneros de discurso — um deles é o texto penal. As mulheres mortas pelo gênero não retornarão pela instauração de uma nova ordem punitiva, o feminicídio, mas acredita-se que a nominação de seu desaparecimento seja uma operação de resistência: o nome facilitaria a esfera de aparição da mulher como vítima.
 

Débora Diniz. Perspectivas e articulações de uma pesquisa feminista. In: Estudos feministas e de gênero: articulações e perspectivas. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2014 (com adaptações).

Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o próximo item.

No texto, a autora discorre sobre aspectos positivos trazidos pela então recém-sancionada lei que pune o assassinato de mulheres.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: O gabarito está ERRADO porque, no texto, a autora não discute aspectos positivos relacionados à lei que pune o assassinato de mulheres. Em vez disso, seu foco é a crítica à moral patriarcal e à violência que as mulheres enfrentam na sociedade, destacando a experiência de mulheres vítimas de feminicídio e a importância do reconhecimento do termo "feminicídio".

A autora menciona a experiência de Maria da Penha apenas como um exemplo de resiliência diante da violência, mas não aborda diretamente a eficácia ou os benefícios da legislação em questão. Além disso, sua argumentação sugere que a nomeação "feminicídio" é uma forma de resistência e reconhecimento, mas não afirma que essa nova ordem punitiva já trouxe resultados positivos.

Adicionalmente, a autora usa formas verbais que indicam um futuro hipotético, como "facilitaria", o que reforça a ideia de que ela discute possibilidades e não realiza uma análise concreta sobre o impacto da lei já sancionada. Portanto, o item não se sustenta à luz da interpretação do texto.

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