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Questão FC89753

Texto 1A1-I Quando você recebe a dose de uma vacina tradicional, inclusive algumas das feitas contra o novo coronavírus, as partículas de vírus atenuadas ou inativas presentes no i

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Texto 1A1-I

Quando você recebe a dose de uma vacina tradicional, inclusive algumas das feitas contra o novo coronavírus, as partículas de vírus atenuadas ou inativas presentes no imunizante desencadeiam uma resposta imunológica no seu organismo, de modo a treiná-lo a enfrentar a doença. A mesma lógica pode valer, do ponto de vista psicológico, contra outra “epidemia” atual — a de desinformação, manipulação de informações e disseminação de fake news (notícias falsas).

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estão estudando o quanto pequenas doses preventivas e “atenuadas” de técnicas de desinformação podem proteger as pessoas contra o ambiente de notícias falsas ou distorcidas na Internet, particularmente em tempos de covid-19.

“O objetivo é criar uma espécie de resistência psicológica contra a persuasão, para que, no futuro, quando você estiver exposto à desinformação, ela seja menos convincente, porque você terá ‘anticorpos’”, explica Jon Roozenbeek, pesquisador do Laboratório de Tomada de Decisões Sociais do Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge. “Em outras palavras, se você conhece as técnicas e os truques usados para enganar as pessoas ou persuadi-las, você terá menos probabilidade de cair neles”.

Uma dessas vacinas em teste é um jogo online chamado Go Viral! (“Viralize”, em tradução livre), com duração de pouco mais de cinco minutos. Nele, o jogador assume o personagem de alguém que quer viralizar na Internet a qualquer custo. Nesse papel, ele coloca em prática as táticas mais usadas para disseminar desinformação e notícias falsas, tais como: explorar as emoções do espectador — notícias falsas costumam ser redigidas ou manipuladas de forma a nos causar raiva, indignação, medo, angústia e, por consequência, provocar o ímpeto de rapidamente compartilharmos aquele conteúdo; inventar especialistas para sustentar alegações, quaisquer que elas sejam, dando a elas um falso lastro ou uma falsa aura de importância; alimentar teorias da conspiração que forneçam a seus seguidores explicações coerentes (mesmo que falsas) e bodes expiatórios ideais para complexos problemas globais. Atraentes, essas teorias costumam gerar bastante engajamento na Internet.

Em estudo publicado no periódico Big Data & Society, Roozenbeek e seus colegas submeteram usuários do Go Viral! a questionários e identificaram que, de modo geral, os jogadores aumentaram a percepção a respeito do que é e do que não é manipulação no noticiário da pandemia de covid-19.

Os jogadores também ganharam mais confiança em sua habilidade de identificar conteúdo manipulador — e, por consequência, muitos deixaram de compartilhar essas fake news com outras pessoas.

Agora, os pesquisadores querem entender quanto tempo dura essa imunização, ou seja, por quanto tempo o entendimento dessas técnicas de manipulação permanece “fresco” na mente dos jogadores.

Internet: <www.bbc.com/portuguese> (com adaptações).


Com base nas ideias do texto 1A1-I, julgue o item subsecutivo.

Os cientistas citados no texto acreditam ser possível desenvolver um tipo de imunização contra notícias falsas.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A afirmação de que os cientistas acreditam ser possível desenvolver um tipo de imunização contra notícias falsas está correta. No texto, é mencionado que pesquisadores da Universidade de Cambridge estão investigando como pequenas doses de desinformação podem proteger as pessoas de serem influenciadas por conteúdos manipulativos. Essa abordagem sugere a criação de uma "resistência psicológica" que funciona como um imunizante, onde o conhecimento sobre táticas de manipulação seria semelhante a produzir 'anticorpos' contra a desinformação.

A citação de Jon Roozenbeek, que explica que, ao entender como funcionam os truques de persuasão, as pessoas se tornam menos suscetíveis a cair em armadilhas de desinformação, reforça a ideia de que sim, é viável desenvolver uma forma de imunização contra esse tipo de conteúdo. Além disso, o fato de que os pesquisadores desejam saber quanto tempo essa imunização permanecerá eficaz também indica um interesse sério em validar a possibilidade de uma defesa efetiva contra as notícias falsas.

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