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Questão FC89851

Alguns linguistas acreditam que o Homo erectus, há mais ou menos 1 milhão e meio de anos, já tinha uma linguagem. Os argumentos que eles dão são que o Homo erectus tinha um cérebro

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Alguns linguistas acreditam que o Homo erectus, há mais ou menos 1 milhão e meio de anos, já tinha uma linguagem. Os argumentos que eles dão são que o Homo erectus tinha um cérebro relativamente grande e usava ferramentas de pedra primitivas, porém bastante padronizadas. Essa hipótese pode ser verdadeira, mas pode também estar bem longe do correto. O uso de ferramentas certamente não requer linguagem.

Chimpanzés usam galhos como ferramentas para caçar cupins, ou pedras para quebrar nozes. Obviamente, mesmo as ferramentas mais primitivas do Homo erectus (pedras lascadas) são muito mais sofisticadas que qualquer coisa usada por chimpanzés, mas ainda assim não há uma razão convincente para crer que essas pedras não pudessem ter sido produzidas sem linguagem.

O tamanho do cérebro é igualmente problemático como indicador da presença de linguagem, porque ninguém tem uma boa ideia de quanto cérebro exatamente é necessário para a linguagem. Além disso, a capacidade para a linguagem pode ter permanecido latente no cérebro por milhões de anos, sem ter sido de fato colocada em uso.
 

Guy Deutscher. O desenrolar da linguagem.

Renato Basso e Guilherme Henrique May (Trad.). Campinas: Mercado de Letras, 2014, p. 28-29 (com adaptações).

A respeito das ideias, dos sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

A expressão “Além disso” introduz o argumento mais forte apresentado pelo autor do texto para comprovar sua tese acerca do surgimento da linguagem humana.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: O gabarito é ERRADO porque a expressão “Além disso” não introduz o argumento mais forte do autor, mas sim um argumento adicional que complementa seus raciocínios anteriores. No contexto do texto, o autor discute a relação entre a capacidade do cérebro e a presença de linguagem, reforçando a ideia de que o tamanho do cérebro não é um indicativo claro de que a linguagem estava presente.

Além disso, a frase seguinte menciona uma possibilidade — a de que a capacidade de linguagem poderia não ter sido utilizada, mas não afirma que esse é o ponto mais convincente de sua tese. Portanto, não podemos dizer que esse argumento é o mais forte ou significativo em relação ao surgimento da linguagem humana, já que ele apenas amplia a discussão inicial sobre o uso de ferramentas. Dessa forma, a afirmação julga incorretamente a hierarquia dos argumentos no texto, levando à conclusão de que o item está errado.

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