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Questão FC89869

Texto CG1A1-I Em 721, um concílio romano presidido pelo papa Gregório II proibiu o casamento com uma commater, isto é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Texto CG1A1-I

Em 721, um concílio romano presidido pelo papa Gregório II proibiu o casamento com uma commater, isto é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse padrinho. Isso levou o papado a se alinhar com a legislação promulgada, algumas décadas antes, em Bizâncio. A adoção marcadamente rápida desses princípios sugere que o clero franco já sustentava concepções similares. Isso é ilustrado por um caso curioso contado por um clérigo franco anônimo, em 727. Ele censurava a maneira traiçoeira pela qual a infame concubina Fredegunda havia conseguido se tornar a esposa legal do rei Quilpérico. Durante uma longa ausência do rei, ela persuadira sua rival, a rainha Audovera, a tornar-se madrinha da própria filha recém-nascida. Assim, a ingênua Audovera foi subitamente transformada na commater de seu próprio marido, impossibilitando qualquer relação conjugal posterior e deixando o caminho livre para Fredegunda.

Essa artimanha mostra que, poucos anos após o concílio romano de 721, o autor anônimo e seu público estavam bem familiarizados com os impedimentos derivados do parentesco espiritual. Não fosse o caso, seria impossível acusar Fredegunda de seu ardiloso truque. As cartas do missionário Bonifácio conferem testemunho adicional a esse fato. Em 735, ele perguntou ao bispo escocês Pethlem se era permitido que alguém se casasse com uma viúva que era mãe de seu afilhado. “Todos os padres da Gália e na terra dos francos afirmavam que isso era um pecado grave”, escreveu ele. Soava-lhe estranho, já que ele nunca ouvira falar nisso antes. A questão devia preocupá-lo porque, no mesmo ano, escreveu a respeito para dois outros clérigos anglo-saxões. Evidentemente, o missionário até então não estava familiarizado com esse impedimento ao casamento, embora o clero continental, a quem ele se dirigia, considerasse a questão muito grave.
 

Mayke De Jong, Nos limites do parentesco: legislação anti-incesto na Alta Idade Média ocidental (500-900). In: Jan Bremmer (Org.). De Safo a Sade. Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus, 1995, p. 56-7 (com adaptações).


Considerando os sentidos e as ideias do texto CG1A1-I, julgue o item a seguir.

O tema central do trecho é a difusão da proibição eclesiástica ao matrimônio entre parentes espirituais na Europa da Alta Idade Média.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: O gabarito está CERTO e isso pode ser justificado da seguinte maneira:

O tema central do trecho é, de fato, a difusão da proibição eclesiástica ao matrimônio entre parentes espirituais na Europa da Alta Idade Média. Isso se confirma pela menção explícita no texto ao concílio romano presidido pelo papa Gregório II em 721, que estabeleceu a proibição do casamento com a commater, ou madrinha de um filho.

A expressão "na Europa da Alta Idade Média" está diretamente relacionada ao contexto histórico abordado no texto, como evidenciado pela referência a legislação anti-incesto na Alta Idade Média ocidental.

Além disso, a ideia de "parentes espirituais" é explorada através da relação de afiliação, na qual a madrinha de um filho tem um vínculo espiritual que interfere nas permissões matrimoniais. O texto menciona como essa proibição afetou a dinâmica familiar e as interações sociais na época, revelando a preocupação do clero com a regulamentação das relações conjugais.

Por fim, o autor também traz à tona a reação do clero em diferentes regiões, como demonstrado nas cartas do missionário Bonifácio, que revelam o impacto dessa proibição nas discussões do clero anglo-saxão, atestando a difusão e a aceitação desse princípio em várias partes da Europa.

Assim, a afirmativa proposta é confirmada pela análise do contexto sociocultural e religioso presente no texto, que trata da regulamentação das relações matrimoniais e suas implicações na sociedade da Alta Idade Média.

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