Questão FC89923
A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2022
A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos legisladores.
Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que, apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto.
Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda. Corrupção: debate conceitual. In: Cláudio André de Souza (org). Dicionário das eleições. Curitiba: Juruá, 2020, p. 209-210 (com adaptações).
Com base nas ideias do texto CB1A1-II, julgue o item a seguir.Por se fundamentar na moral, que é permeada de valores pessoais, subjetivos e culturais, a abordagem moralista da corrupção não tem validade científica, de acordo com o texto.
- Certo
- Errado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: A afirmativa está CERTA porque, segundo o texto, a abordagem moralista da corrupção se baseia em conceitos que são intrinsecamente subjetivos e dependentes da cultura de cada indivíduo. O texto menciona claramente que a corrupção, ao ser tratada sob uma perspectiva moralista, é vista como resultado da falta de caráter, mas essa visão não possui uma base científica. Isso ocorre porque a moral varia de pessoa para pessoa e é influenciada por valores culturais específicos. Portanto, se a análise se apoia em fundamentos morais individualizados, não pode ser considerada válida do ponto de vista científico, que exige critérios objetivos e mensuráveis. A posição do texto reforça que, para entender a corrupção de maneira mais ampla e eficaz, é necessário considerar aspectos além do moral, como aqueles de natureza econômica e estrutural.
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