Questão FC910111
Considerando o quadro clínico e os achados laboratoriais, qual é a conduta mais apropriada?
Sem classificação
IAUPE · 2026
Mulher de 61 anos, portadora de cirrose hepática alcoólica descompensada, é internada por piora do estado geral, sem queixas localizatórias. À admissão, encontra-se afebril, hemodinamicamente estável, sem dor abdominal ou sinais de irritação peritoneal. É realizada paracentese diagnóstica de rotina, cujo líquido ascítico é límpido e revela 420 polimorfonucleares (PMN)/mm³. Diante desse achado, é iniciado tratamento antibiótico empírico adequado para peritonite bacteriana espontânea. Após 48 horas, a cultura do líquido ascítico permanece negativa, sem crescimento bacteriano.
Considerando o quadro clínico e os achados laboratoriais, qual é a conduta mais apropriada?
- Suspender o antibiótico, pois a cultura negativa exclui o diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea
- Manter o antibiótico, uma vez que o diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea é definido pela contagem de PMN no líquido ascítico, independentemente da cultura
- Interromper o antibiótico e repetir a paracentese apenas para confirmação diagnóstica
- Ampliar o espectro do antibiótico empírico devido à ausência de crescimento bacteriano
- Considerar o achado compatível apenas com ascite inflamatória não infecciosa, sem necessidade de tratamento específico.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Manter o antibiótico. O diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea é baseado na contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ \(250\)/mm³ no líquido ascítico, independentemente do resultado da cultura, pois culturas podem ser negativas em até 40% dos casos.
Trate empiricamente com antibiótico apropriado para SBP (ex.: cefotaxima/ceftriaxona) pelo tempo recomendado, e avalie resposta clínica nas primeiras 48 horas. A cultura negativa não justifica suspensão precoce do tratamento.
Realize paracentese de controle após 48 horas para confirmar queda dos PMN e considere uso de albumina intravenosa nas situações de alto risco para disfunção renal (reduz mortalidade). Monitorar sinais vitais, função renal e eletrólitos durante o tratamento.
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