Questão FC910129
Homem de 32 anos, previamente hígido, residente em área urbana, com histórico recente de exposição à água de enchente, apresenta há 4 dias febre alta (39°C), cefaleia intensa, mial
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IAUPE · 2026
Homem de 32 anos, previamente hígido, residente em área urbana, com histórico recente de exposição à água de enchente, apresenta há 4 dias febre alta (39°C), cefaleia intensa, mialgia predominante em panturrilhas e conjuntivite não purulenta. Ao exame físico, observa-se icterícia leve. Encontra-se hemodinamicamente estável, sem sangramentos ou sinais de insuficiência respiratória. Os exames laboratoriais iniciais mostram creatinina 1,0 mg/dL (VR 0,6–1,3), bilirrubina total 1,5 mg/dL (VR ≤ 1,2), AST 55 U/L (VR ≤ 40), ALT 48 U/L (VR ≤ 41) e plaquetas 165.000/mm³ (VR 150.000–450.000). A sorologia para leptospirose ainda não está disponível. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde do Brasil, sobre o manejo desse caso, é INCORRETO afirmar que
- o diagnóstico clínico-epidemiológico é suficiente para iniciar tratamento na fase inicial da doença.
- o início precoce da antibioticoterapia reduz a duração dos sintomas e o risco de complicações.
- a doxiciclina por via oral pode ser utilizada em adultos não gestantes com formas leves, mesmo na presença de icterícia leve e função renal preservada.
- se deve aguardar a confirmação sorológica antes de iniciar antibioticoterapia específica.
- a presença de icterícia isoladamente não define gravidade nem contraindica tratamento ambulatorial quando não há disfunção renal ou outras complicações.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A afirmação é incorreta porque, segundo o Ministério da Saúde, o manejo da leptospirose deve basear‑se no quadro clínico e na exposição epidemiológica, não na confirmação sorológica imediata.
O paciente apresenta sinais clássicos (febre alta, mialgia em panturrilhas, conjuntivite não purulenta, icterícia leve, histórico de enchente), o que justifica início imediato de antibioticoterapia empírica. A sorologia pode ser negativa nas primeiras fases da doença, demorando dias para se tornar positiva.
O tratamento precoce reduz risco de agravamento para formas graves (insuficiência renal, hemorragias, choque). Para casos não graves recomenda‑se oral (por exemplo doxiciclina ou amoxicilina); em casos graves, terapia parenteral (por exemplo penicilina cristalina ou ceftriaxona).
Portanto, aguardar sorologia antes de tratar é atitude inadequada e potencialmente prejudicial.
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