Questão FC910382
Mulher de 32 anos, nuligesta, refere infertilidade há 2 anos, dismenorreia progressiva e dor pélvica crônica. Ao exame físico, apresenta dor à mobilização uterina e nodularidade do
Sem classificação
IAUPE · 2026
Mulher de 32 anos, nuligesta, refere infertilidade há 2 anos, dismenorreia progressiva e dor pélvica crônica. Ao exame físico, apresenta dor à mobilização uterina e nodularidade dolorosa em ligamentos uterossacros. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal evidencia lesão infiltrativa compatível com aderências profundas.
Sobre o diagnóstico e os mecanismos fisiopatológicos relacionados à infertilidade nessa condição, assinale a alternativa CORRETA.
- Provável endometriose, o diagnóstico definitivo depende obrigatoriamente de laparoscopia com biópsia, sendo os exames de imagem insuficientes para confirmação diagnóstica.
- Trata-se de infertilidade associada à DIP que ocorre exclusivamente por distorção anatômica tubária e ovariana, sem participação de mecanismos inflamatórios.
- Considerar endometriose que pode comprometer a fertilidade por inflamação peritoneal crônica, alterações na qualidade ovocitária, prejuízo da receptividade endometrial e distorção da anatomia pélvica.
- A ausência de endometrioma ovariano exclui a possibilidade de infertilidade relacionada à endometriose, especialmente nas formas profundas da doença.
- Os marcadores séricos, especialmente o CA-125, apresentam sensibilidade e especificidade suficientes para estabelecer o diagnóstico de endometrite asseptica sem necessidade de correlação clínica.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Endometriose causa infertilidade por mecanismos múltiplos e inter-relacionados. Lesões ectópicas induzem inflamação peritoneal crônica com aumento de citocinas (IL-1, TNF-α), prostaglandinas, macrófagos ativados e espécies reativas, comprometendo captação tubária e fecundação.
Processos inflamatórios e presença de endometriomas reduzem a qualidade ovocitária por estresse oxidativo e possível perda de reserva ovariana, principalmente após cirurgia.
O endométrio pode apresentar resistência à progesterona e alterações de marcadores de implantação (ex.: integrinas, HOXA10), prejudicando a receptividade endometrial e a implantação do embrião.
Além disso, aderências e nódulos provocam distorção anatômica pélvica, impedindo o encontro ovócito-espermatozóide e o transporte tubário do embrião. Assim, a infertilidade na endometriose é multifatorial e envolve inflamação, dano ovocitário, falha de implantação e alterações anatômicas.
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