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Questão FC910397

Uma mulher de 79 anos, portadora de doença avançada acompanhada em cuidados paliativos domiciliares, é avaliada pela equipe da Atenção Primária após alteração aguda do estado menta

Sem classificação

IAUPE · 2026

Uma mulher de 79 anos, portadora de doença avançada acompanhada em cuidados paliativos domiciliares, é avaliada pela equipe da Atenção Primária após alteração aguda do estado mental iniciada há cerca de 48 horas. Segundo a filha, até poucos dias antes, a paciente encontrava-se comunicativa, orientada e participava das decisões relacionadas ao próprio cuidado. Desde então, passou a apresentar períodos alternados de sonolência e agitação, dificuldade para manter a atenção durante as conversas, fala desconexa, inversão do ciclo sono-vigília e episódios em que não reconhece familiares. Nas últimas semanas, houve introdução de novos medicamentos para controle de sintomas, e a família pergunta se essa mudança representa, apenas, a evolução natural da doença. Durante a discussão do caso, um residente sugere que o quadro seja consequência inevitável da progressão clínica e propõe apenas sedação para reduzir a agitação. Outro residente questiona se ainda existem medidas que possam modificar a evolução do quadro. Ao analisar a situação apresentada, qual estratégia está mais alinhada aos princípios atuais do manejo do delirium em Cuidados Paliativos?

  1. Implementar medidas de orientação ambiental, investigar causas potencialmente reversíveis, revisar medicamentos recentemente introduzidos e considerar tratamento farmacológico, apenas quando houver sofrimento importante ou risco para a paciente ou seus cuidadores.
  2. Iniciar antidepressivo e manter o esquema terapêutico atual, orientando a família que a recuperação cognitiva costuma ocorrer espontaneamente após algumas semanas de tratamento.
  3. Suspender todas as medicações sintomáticas, iniciar benzodiazepínico em horário fixo e aguardar estabilização clínica, antes de reavaliar possíveis fatores desencadeantes.
  4. Considerar que as alterações cognitivas representam manifestação irreversível da evolução da doença, priorizando, exclusivamente, medidas de conforto sem investigação adicional.
  5. Introduzir estimulante do sistema nervoso central para restaurar a atenção e a vigília, mantendo inalterado o restante do plano terapêutico.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Delirium em pacientes em cuidados paliativos não deve ser automaticamente considerado inevitável. A abordagem correta prioriza orientação ambiental, identificação e correção de causas potencialmente reversíveis e revisão de medicamentos recentemente introduzidos.

Entre causas reversíveis estão infecção, distúrbios metabólicos, hipoxemia, desidratação, retenção urinária, constipação e dor mal controlada. Medicamentos precipitantes comuns incluem opioides em excesso, anticolinérgicos e benzodiazepínicos.

Medidas não farmacológicas são centrais: reorientação, luz natural, relógio/calendário, óculos/aparelho auditivo, sono-higiene, hidratação, controle da dor e presença familiar.

O tratamento farmacológico deve ser reservado para sofrimento intenso ou risco à segurança. Antipsicóticos em dose baixa podem ser utilizados para agitação perigosa; benzodiazepínicos são indicados apenas em situações específicas, como retirada de sedativos. Evitar sedação rotineira para preservar comunicação e decisões da paciente.

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